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O “Asteróide do Apocalipse” está a cuspir rochas para o Espaço

Redação O Tablóide por Redação O Tablóide
13 de dezembro de 2019
Reading Time: 4 mins read
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O “Asteróide do Apocalipse” está a cuspir rochas para o Espaço

NASA / Goddard / University of Arizona

A sonda OSIRIS-REx da NASA chegou ao Bennu, o “Asteróide do Apocalipse”, em dezembro de 2018 e, apenas uma semana depois, descobriu algo incomum: o asteróide estava a lançar partículas para o Espaço.

A câmara de navegação da sonda detetou as partículas, mas os cientistas pensaram inicialmente que eram apenas estrelas ao fundo. Após um exame mais minucioso, a equipa do OSIRIS-REx percebeu que eram partículas de rocha e ficou preocupada com a possibilidade de representar um risco.

Asteróides que estão a perder massa são chamados de “asteróides ativos” e, às vezes, “cometas do cinturão principal”. Por vezes, de acordo com o Universe Today, deixam rastos transitórios de poeira e detritos que se parecem com a cauda de um cometa.

Quando este tipo de asteróides foi observado pela primeira vez, os astrónomos pensaram que o rasto era feito de gelo derretido, como a cauda de um cometa. No entanto, agora sabemos que existem vários mecanismos que podem fazer com que um asteróide seja ativo.

Os astrónomos não encontraram muitos asteróides ativos – e a maioria deles está a perder tanto material que é visível nos telescópios. A maioria dos asteróides é estável e, de facto, Bennu parecia ser um asteróide inativo em observações da Terra.

“Entre as surpresas de Bennu, as ejeção de partículas despertaram a nossa curiosidade e passámos os últimos meses a investigar esse mistério”, disse Dante Lauretta, investigador principal do OSIRIS-REx na Universidade do Arizona, em Tucson, em comunicado. “Esta é uma grande oportunidade para expandir o nosso conhecimento sobre como os asteróides se comportam”.

Existem várias causas para asteróides ativos como o Bennu. Sublimação de gelo, impactos, instabilidade rotacional, fraturas térmicas e repulsão eletrostática são alguns deles. Num artigo publicado este mês na revista científica Science, Lauretta e outros cientistas apresentaram os resultados das suas observações sobre a perda de massa de Bennu.

O título do artigo – “Episódios de ejeção de partículas da superfície do asteróide ativo (101955) Bennu” – deixa claro que as ejeções são episódicas e não contínuas. A equipa concentrou-se nos três maiores episódios de ejeção de partículas em 6 de janeiro, 19 de janeiro e 11 de fevereiro.

O maior evento foi no dia 6 de janeiro, quando o OSIRIS-REx viu cerca de 200 partículas a deixar Bennu. As partículas viajaram a cerca de três metros por segundo e variaram em tamanho, de menos de 2,5 a 10 centímetros.

Os três episódios ocorreu em locais diferentes da superfície do asteróide. Um ocorreu no hemisfério sul e dois perto do equador. Todos ocorreram a meio do dia e parece não haver nada de notável naqueles lugares.

Depois de serem expulsos do Bennu, as partículas faziam uma de duas coisas: orbitaram durante um breve período de vários dias antes de voltarem à superfície do asteróide ou foram lançadas para o Espaço.

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A ejeção de partículas tem três causas possíveis: impactos de meteoróides, fratura por stress térmico ou libertação de vapor de água.

A vizinhança do Bennu é movimentada, com muitas pequenas rochas espaciais passando em redor. Uma possibilidade é que as rochas estivessem a atingir Bennu fora da vista do OSIRIS-REx.

A fratura térmica também pode explicar as partículas. O período rotacional de Bennu é de 4,3 horas e a temperatura da superfície do asteróide varia muito durante esse período. Os três principais eventos de ejeção de partículas ocorreram à tarde, quando a temperatura sobe de baixas noturnas frias para altas diurnas. As variações de temperatura podem causar fraturas na rocha e ejeção de partículas.

Além disso, o Bennu tem argilas que contêm água. O aquecimento durante o dia pode fazer com que e se expanda, criando pressão ao tentar escapar. A pressão pode formar fendas na rocha, permitindo que as partículas escapem.

No verão de 2020, o OSIRIS-REx vai recolher uma amostra do Bennu e vai devolver-la à Terra até 2023. As partículas que foram ejetadas e que regressaram ao asteróide são suficientemente pequenas para serem colhidss durante a amostragem – é possível que algumas cheguem à Terra . Enquanto isso, o OSIRIS-REx estará no Bennu durante um longo tempo, estudando-o com o seu conjunto de instrumentos científicos.

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