Bruxelas, Bélgica – A Comissão Europeia reafirmou este sábado, 17 de outubro, a sua determinação em manter o cerco económico à Rússia. O anúncio surge poucas horas depois de Washington ter surpreendido os seus aliados ao suspender temporariamente um pacote de sanções que visava limitar o fluxo de rendimentos russos provenientes do gasóleo.
Thomas Reigner, porta-voz da instituição europeia, foi direto quanto à posição de Bruxelas. Em declarações, sublinhou que a UE já canalizou cerca de 230 mil milhões de euros em ajuda para a Ucrânia e que o seu regime de sanções está a surtir efeito. Contudo, o tom foi de exigência: a pressão atual é insuficiente. O bloco está, por isso, a ultimar o seu 22.º pacote de medidas punitivas contra o Kremlin.
A estratégia europeia parece isolada neste momento, ou pelo menos descompassada da decisão tomada pela administração de Donald Trump. O líder norte-americano justificou o alívio das restrições — que incidiam diretamente sobre a lei inspirada pelo falecido senador republicano Lindsey Graham — alegando que a medida serve o interesse nacional dos Estados Unidos. O objetivo original dessa legislação era estrangular as fontes de financiamento que sustentam o esforço de guerra no território ucraniano.
O mal-estar em Bruxelas foi evidente. Após uma cimeira concluída na sexta-feira, os líderes dos Estados-Membros expressaram abertamente o seu lamento face ao recuo norte-americano. Ursula von der Leyen, que em setembro tinha elogiado a eficácia da ação coordenada entre os dois lados do Atlântico, mantém a linha dura. A presidente da Comissão Europeia assegurou que nenhum levantamento de sanções será equacionado enquanto o conflito na Ucrânia persistir.
A divergência entre as duas potências ocidentais coloca agora em evidência uma falha na frente comum que a Europa tentava consolidar. Enquanto Washington coloca o interesse doméstico à frente do bloqueio imposto ao setor energético russo, Bruxelas insiste que a economia russa continua a ser o alvo prioritário. Resta saber se o 22.º pacote europeu terá a força necessária para compensar, isoladamente, a abertura deixada pela suspensão da lei Graham.










