A decisão dos eleitos do Chega de votar contra o apoio municipal a duas companhias de teatro gerou polémica política e cultural em Setúbal, com críticas de partidos e estruturas culturais que acusam o partido de tentar limitar a liberdade artística.
Em causa está o voto contra do Chega ao financiamento do Teatro de Animação de Setúbal (TAS) e do Teatro Estúdio Fontenova, no âmbito dos apoios atribuídos pela Câmara Municipal de Setúbal.
Os eleitos do partido justificaram a posição alegando que as duas estruturas culturais promovem aquilo que classificaram como “agendas ideológicas divisivas”. Entre os argumentos apresentados está o facto de o TAS ter levado à cena a peça Manual do Bom Fascista, baseada no livro homónimo de Rui Zink. Já em relação ao Teatro Estúdio Fontenova, o Chega referiu a participação da companhia na primeira Marcha do Orgulho LGBTQIA+ realizada na cidade.
Críticas de BE e PS
O Bloco de Esquerda criticou duramente a posição do Chega, considerando que se trata de um regresso à censura. Em comunicado, o partido acusou os eleitos de tentarem reintroduzir práticas semelhantes ao “lápis azul”, expressão associada à censura durante a ditadura.
O partido contestou também declarações do vereador do Chega António Cachaço, que afirmou que a peça Manual do Bom Fascista apresenta uma caricatura ofensiva do conservadorismo e dos valores tradicionais.
Na mesma linha, a concelhia local do Partido Socialista classificou o argumento utilizado pelo Chega como um ataque aos valores democráticos e à identidade cultural da cidade, sublinhando a importância das duas companhias no panorama cultural setubalense.
Reação do setor cultural
O próprio Teatro de Animação de Setúbal reagiu com “estupefação” às justificações apresentadas pelo partido, afirmando que as declarações demonstram desconhecimento sobre o papel das artes na sociedade.
Em comunicado, a companhia sublinhou que o apoio público à cultura deve promover a diversidade artística e não funcionar como um prémio condicionado por alinhamentos ideológicos.
Apesar da controvérsia, os apoios municipais às duas companhias acabaram por ser aprovados por maioria no executivo da Câmara Municipal de Setúbal.










