O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, afirmou esta quarta-feira que há muitos que defendem mudanças apenas no discurso, mas poucos dispostos a concretizá-las. “Reformismo de boca têm muitos, mas reformismo de ação, de crescimento, de ambição e de transformação não é para todos”, declarou.
O chefe do Governo falava no encerramento das jornadas parlamentares do Partido Social Democrata (PSD), onde apontou críticas às oposições e a setores que, segundo afirmou, resistem à mudança.
Resistências dentro e fora do partido
Montenegro reconheceu que a resistência às reformas não se limita aos adversários políticos. O primeiro-ministro admitiu que também existem pessoas dentro do próprio partido e do Governo que mostram receio em alterar o estado das coisas.
Segundo o líder do executivo, muitos defendem transformações “desde que não seja na sua área de atividade”, o que acaba por travar processos de mudança. Ainda assim, garantiu que o Governo compreende essas preocupações, mas mantém a determinação em governar e avançar com reformas.
Passos Coelho evita repetir críticas
Enquanto Montenegro discursava, o antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho participava numa conferência em Viseu. Questionado sobre as suas anteriores críticas ao ritmo das reformas estruturais, o ex-líder do PSD preferiu não prolongar o tema, afirmando que não pode “andar permanentemente a fazer comentário”.
Passos Coelho tem defendido publicamente que o atual Governo deve avançar mais rapidamente em matérias estruturais.
Revisão da lei laboral continua em negociação
Na mesma intervenção, Montenegro revelou que o executivo ainda pretende limar alguns pontos na revisão da legislação laboral e que voltará a reunir-se com os parceiros sociais na próxima segunda-feira.
De acordo com o primeiro-ministro, já existe consenso em 66 normas da proposta, embora alguns aspetos permaneçam em discussão. Montenegro acusou ainda o Chega e a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses de estarem alinhados na intenção de “rasgar” as alterações à lei laboral.
Apelo à estabilidade política
Também presente nas jornadas parlamentares do PSD, o antigo vice-primeiro-ministro Paulo Portas defendeu que o país deve preservar a estabilidade política. O antigo líder do Centro Democrático Social – Partido Popular considerou que o contexto internacional é marcado por grande volatilidade e incerteza, o que exige cautela nas decisões políticas.
Segundo Portas, manter estabilidade institucional é “a melhor coisa que Portugal pode fazer em nome dos seus interesses e dos portugueses”.










