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Home Editorias Ciência

O “Doutor Google” está mais vezes errado do que certo

Redação O Tablóide por Redação O Tablóide
28 de maio de 2020
Reading Time: 3 mins read
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Retha Fergunson / Canva

O “Doutor Google” e qualquer outra ferramenta de pesquisa online erra mais do que acerta quando alguém pesquisa determinados sintomas para determinar se sofre de algum problema de saúde, concluiu uma nova investigação.

Pesquisar online uma série de sintomas para aferir um eventual problema de saúde parece ser uma comportamento bastante comum mas, segundo a Ciência, as pesquisas online acabam por errar mais vezes do que aquelas que acertam, escreve o portal Science Alert.

Uma nova investigação que se debruçou sobre a precisão de sites e aplicações de verificação de sintomas online revelou que a qualidade dos conselhos de diagnóstico varia consideravelmente e, em média, estas ferramentas só acertam um diagnóstico à primeira tentativa num terço (36%) das situações.

“Embora possa ser tentador utilizar estas ferramentas para descobrir o que pode a estar a causar determinados sintomas, na maioria das vezes [estas ferramentas de pesquisa] não são confiáveis, na melhor das hipóteses”, começou por explicar Michella Hill, autora principal do estudo e aluna de mestrado da Universidade Edith Cowan, na Austrália.

“Na pior das hipóteses, podem ser perigosos“, continuou. “A realidade é que estes sites e aplicações devem ser vistos com muito cuidado, uma vez que não olham para todo o cenário da situação”, alertou ainda a mesma especialista.

Para chegar a esta conclusão, a equipa investigou verificadores de sintomas online (SCs, na sigla em inglês) que fornecem diagnósticos médicos ou aconselhamento de triagem. Ao todo, foram analisados e testados 36 SCs gratuitos e populares disponíveis em sites ou aplicações para iPhones e smartphones Android. Depois de identificados os SCs, foram testadas 48 descrições de condições médicas.

Diagnósticos online não estão mais confiáveis

Um outro estudo, publicado há cinco anos por uma equipa de cientistas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, obteve os mesmos resultados quando analisou o mesmo tema: os 23 SCs testados pela equipa de cientistas norte-americanos apenas sugeriram um diagnóstico correto à primeira tentava em 34% dos casos.

O portal de Ciência nota que a semelhança pode estar relacionada com o facto de ambos os estudos terem testado algumas das mesmas vinhetas de condições médicas.

Contudo, e considerando que o novo estudo também trouxe novas condições de saúde e não analisou necessariamente os mesmos SCs, o estudo sugere outra coisa: no geral, na última meia década, os verificadores de sintomas online não se tornaram mais fiáveis.

Ainda assim, frisam os investigadores, estas ferramentas não são totalmente inúteis: a equipa liderada por Hill descobriu que os SCs listam o diagnóstico correto nos dez principais resultados em 58% das pesquisas.

A equipa sublinha que, regra geral, estes serviços de diagnóstico, que recorrem a algoritmos, são uniformemente abertos sobre as suas limitações, deixando claro que o diagnósticos feito não substituía a opinião de um médico.

“Cada um dos SCs [analisados] alertou que o seu serviço não substituía um diagnóstico médico (…) O diagnóstico não é uma avaliação única, mas um processo que requer conhecimento, experiência, exames e testes clínicos e a própria passagem do tempo, algo impossível de replicar numa única interação online”.

Apesar das lacunas e do baixo grau de fiabilidade, os cientistas dizem que os CSs são úteis se utilizados como recurso educacional em conjunto com diagnósticos médicos.

“[Os SCs] não conhecem o seu histórico médico ou outros sintomas (…) Para pessoas que não têm conhecimento em saúde, podem pensar que os conselhos que recebem são precisos ou que a sua condição não é tão grave quando pode realmente ser”.

Os resultados da investigação foram publicados na The Medical Journal of Australia.

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