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Home Economia

Suspensão de voos para a Venezuela vai custar 10 milhões à TAP. “Quem vai pagar a conta?”

Redação O Tablóide Por Redação O Tablóide
21 de Fevereiro de 2020
Reading Time: 3 mins read
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António Cotrim / Lusa

O presidente executivo da TAP, Antonoaldo Neves

O presidente da TAP está preocupado com as consequências da suspensão dos voos para a Venezuela. “Quero saber que vai pagar essa conta.”

O presidente executivo da TAP, Antonoaldo Neves, disse esta quinta-feira que a suspensão de voos para a Venezuela durante 90 dias vai custar à companhia 10 milhões de euros em prejuízos diretos.

“Temos um potencial de 10 milhões de euros de prejuízo por conta dessa decisão. Eu quero saber quem vai pagar essa conta”, disse o responsável, que falava na conferência de imprensa de apresentação dos resultados de 2019 da companhia aérea, em Lisboa.

Em causa está uma decisão do Governo venezuelano de suspender os voos da TAP para aquele país durante 90 dias, acusando a companhia de ter permitido o transporte de explosivos e de ter ocultado a identidade de Juan Guaidó num voo de Lisboa para Caracas.

O CEO da TAP clarificou que os 10 milhões de euros se referem a prejuízos diretos, devido à suspensão dos dois voos semanais que a TAP tem para a Venezuela, acrescentando que não sabe dimensionar o valor dos prejuízos indiretos. “A bom rigor, nós fomos suspensos por 90 dias sem nenhuma justificação plausível. Mesmo porque quem faz o raio-x não é a TAP, quem faz a inspeção das bagagens não é a TAP. É cómico, mas é trágico, porque são 10 milhões de euros.”

Garantindo que a TAP “cumpre rigorosamente” os procedimentos, o responsável lamentou a decisão, que considerou um “vexame” (a expressão em português do Brasil para “vergonha”) para Portugal.

TAP “não comenta política remuneração da empresa”

Antonoaldo Neves escusou-se a fazer comentários sobre a atribuição de prémios a alguns trabalhadores depois de prejuízos de 105,6 milhões de euros em 2019, dizendo que “não comenta política de remuneração da empresa”.

“A Comissão Executiva não comenta política de remuneração da empresa. A Comissão Executiva também não comenta declarações de outras pessoas”, afirmou o presidente da transportadora aérea, referindo-se às declarações do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, que considerou “inaceitável” o pagamento de prémios a alguns trabalhadores depois dos prejuízos verificados no ano passado.

De acordo com o comunicado da TAP SGPS, que engloba todas as empresas do grupo, enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), “o processo que envolve a gestão da entrada das 30 aeronaves e a saída de 18 antigas teve um impacto negativo financeiro de 55 milhões de euros no resultado do ano”.

A empresa liderada por Antonoaldo Neves refere ainda que em 2019 “foi penalizada entre 30 milhões de euros a 35 milhões de euros em resultado da ineficácia da infraestrutura”, referindo-se à “falta de investimento na capacidade do aeroporto de Lisboa” e ao “congestionamento do espaço aéreo”.

Na quarta-feira, um dia antes do anúncio dos resultados da TAP, o Governo considerou “inaceitável” que a TAP, empresa que “tem 100 milhões de euros de prejuízos” em 2019, atribua prémios a uma minoria de trabalhadores, ressalvando que a decisão não é da administração, mas da gestão privada.

“É uma falta de respeito para com a esmagadora maioria dos trabalhadores da TAP e para com os portugueses”, avançou o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, em resposta ao deputado do PS Hugo Costa que questionou se é moralmente aceitável a atribuição de prémios na TAP, face aos prejuízos da empresa.

Numa audição parlamentar na Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, o ministro disse que os prejuízos na TAP são “uma matéria que preocupa” o Governo, defendendo que o processo de reversão da privatização da companhia aérea de bandeira portuguesa foi “importante”, mas “se deve contar pelos dedos de uma mão os anos em que não deu prejuízo”.

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