O líder do Chega, André Ventura, acusou esta quarta-feira o Governo de utilizar a reforma laboral como uma “manobra de distração”, considerando que o executivo pretende desviar atenções de outros problemas que, na sua opinião, deveriam ser prioritários.
Em declarações aos jornalistas durante uma visita à Futurália, em Lisboa, Ventura reagia às recentes declarações do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que comparou o Chega à Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses, concluindo que “os extremos tocam-se”.
Segundo o dirigente partidário, o Governo deveria concentrar-se em medidas concretas para responder às consequências económicas do conflito no Médio Oriente e ao aumento do custo de vida.
“Eu acho que o primeiro-ministro quer desviar as atenções daquilo que se passa neste momento, do que o Governo devia estar a fazer e que está a usar a reforma laboral como mera distração”, afirmou.
Ventura apelou ao executivo para tomar “decisões rápidas” que ajudem a conter os efeitos da crise económica e advertiu para aquilo que descreveu como um “aumento real do custo de vida”, insistindo que a reforma laboral não deve ser utilizada como forma de desviar o debate político.
O presidente do Chega referiu ainda que o Governo não respondeu ao desafio do partido para negociar alterações à legislação laboral, acusando o executivo de não querer promover uma verdadeira reforma.
“O Governo não quer resolver nada, o Governo quer é vitimizar-se e dizer que não o deixam governar”, criticou.
Na mesma intervenção, André Ventura defendeu que o executivo deve procurar consensos com os partidos da oposição sobre as mudanças na legislação do trabalho, lembrando que o pacote legislativo terá de ser aprovado na Assembleia da República.
Durante a visita à Futurália, o líder do Chega foi também questionado sobre a renúncia ao mandato de uma vereadora do partido na Ourém, a oitava saída registada desde as últimas eleições autárquicas. Ventura desvalorizou a situação, afirmando que casos semelhantes também ocorrem noutros partidos e que o tema será analisado internamente num próximo Conselho Nacional.
Acompanhado por dirigentes e deputados do partido, incluindo a líder da Juventude Chega, Rita Matias, Ventura foi abordado por vários jovens durante a visita, que aproveitaram para pedir fotografias e colocar algumas questões ao dirigente político.










