O apoio de Washington a Kiev atravessa a sua fase mais turbulenta desde o início do conflito. A administração de Donald Trump optou por suspender a execução de novas sanções contra a Rússia, uma medida que esvazia a eficácia da lei Lindsey Graham. A legislação, ratificada em setembro com um consenso bipartidário raro no Congresso, visava restringir o fluxo de receitas do Kremlin através da taxação de países que importam hidrocarbonetos russos. Ao travar esta estratégia, a Casa Branca confere um fôlego financeiro inesperado à máquina de guerra de Moscovo.
Este afastamento de Trump face às pretensões ucranianas é acompanhado por outros sinais de distensão. O presidente norte-americano validou um acordo para facilitar a distribuição de gasóleo russo no mercado global, uma manobra destinada a conter a subida galopante dos preços dos combustíveis. O impacto político desta inflação é sentido diretamente em Washington, onde o Partido Republicano enfrenta um desgaste acentuado nas sondagens a poucos meses das eleições intercalares de novembro.
O mal-estar na relação entre os dois líderes é evidente. Trump chegou a exigir que Zelensky cessasse as operações militares contra refinarias russas, alegando que tais ataques desestabilizam o preço do petróleo bruto. A pressão da Casa Branca estende-se até ao plano tecnológico: a rede satélite Starlink, gerida por Elon Musk, sofreu cortes no auxílio prestado à inteligência ucraniana.
A resposta russa a este novo clima político foi imediata. Na sexta-feira, dia 16, Moscovo lançou uma ofensiva de larga escala contra a rede elétrica da Ucrânia, atingindo mais de 15 instalações críticas de produção e transporte de energia. O ataque ignorou a trégua energética proposta por Trump, que Kiev tinha respeitado durante três dias consecutivos.
Perante este cenário, Volodymyr Zelensky manifestou publicamente o seu descontentamento. Nas redes sociais, o líder ucraniano sublinhou que a aplicação da lei suspensa pelo governo norte-americano seria uma ajuda vital para o esforço defensivo do seu país. Ao partilhar uma fotografia em memória do senador Lindsey Graham, o presidente da Ucrânia deixou clara a sua convicção de que o recuo de Trump constitui um erro estratégico de graves proporções para a segurança europeia.










