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Home Economia

Centeno voltou à pele do Ronaldo das Finanças para “bater” no Governo PSD-CDS

Redação O Tablóide Por Redação O Tablóide
20 de Novembro de 2020
Reading Time: 4 mins read
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Mário Cruz / Lusa

Mário Centeno participou numa conferência financeira enquanto governador do Banco de Portugal (BdP), mas em boa parte da sua intervenção, mais pareceu o “Ronaldo das Finanças” do Governo, com elogios à forma como o Executivo de que fez parte recuperou o país da crise económica que antecedeu a crise pandémica.

Contents
Bancos são “parte da solução” e não “problema”“Dinâmica empresarial única” no início de 2020

No discurso que fez na Money Conference, uma conferência organizada pelo Dinheiro Vivo e pela TSF, Mário Centeno realçou o que foi feito pelo Governo do PS que integrou, como ministro das Finanças, para reforçar a Banca depois do “final de 2015”.

O actual Governador do BdP refere-se ao momento em que o Executivo de Passos Coelho foi sucedido pelo de António Costa, após as eleições que levaram ao nascimento da “geringonça”.

“O sistema financeiro português estava sub-capitalizado, com estruturas accionista instáveis, em incumprimento de planos de negócios e obrigações assumidas perante as autoridades”, apontou Centeno na sua intervenção que também se encontra publicada, na íntegra, no site do BdP.

“Hoje, ninguém reconhece estes problemas no sistema bancário português”, frisou, apontando que “a existência de um sistema financeiro saudável, robusto e dinâmico é fundamental para apoiar a economia, as empresas e as famílias e garantir o desenvolvimento económico e social do país”.

“Portugal tardou demasiado tempo em actuar nessa frente. Fê-lo depois da generalidade dos países europeus, no contexto das crises financeira e soberana, e isso teve consequências no apoio à economia, às empresas e às famílias na saída da crise” de 2008, notou ainda Centeno em mais uma farpa ao Governo PSD-CDS.

“Na última década foram adoptadas medidas pelos bancos – gestores e accionistas –, pelos legisladores e reguladores e pelos supervisores que permitiram aumentar a resiliência do sistema financeiro”, acrescentou.

“Não chegámos à crise pandémica sem o trabalho de casa feito”, vincou ainda Centeno.

“No período anterior à crise pandémica, acumulámos um capital de confiança, de redução do risco e até de partilha de risco que não podemos desbaratar”, disse também, salientando que “a importância deste enquadramento foi evidente na reacção ao surto pandémico, não apenas na dimensão do apoio, mas também na sua rapidez e abrangência”.

“Termos um sistema financeiro resiliente foi determinante para a rapidez e intensidade das medidas aprovadas”, considerou ainda.

Bancos são “parte da solução” e não “problema”

Sobre o sector bancário, Centeno referiu também que os bancos estão a “fazer parte da solução, não foram parte do problema”.

“Mas o sistema financeiro enfrenta ainda enormes desafios“, acrescentou o governador do BdP, salientando que “temos de estar conscientes de que a médio prazo, o sobre-endividamento pode levar à redução do investimento, enfraquecendo a competitividade e o crescimento económico”.

“A crise trouxe consigo um aumento da dívida pública e da dívida privada, tal como um acentuar da desigualdade”, alertou ainda, vincando que “as medidas de confinamento adoptadas para responder à primeira vaga da pandemia” desencadearam “aumentos maciços no sub-emprego“.

“E sem uma intervenção pública concertada, teríamos assistido a uma crise de crédito e de liquidez, que levaria a uma vaga de insolvências com consequências na estabilidade económica e financeira”, acrescentou.

Mas “a resposta das diferentes políticas públicas foi eficaz, alcançando os seus objectivos”, entendeu, frisando que os Governos da União Europeia “actuaram na preservação do emprego e asseguraram a liquidez com moratórias e créditos garantidos“.

Centeno destacou ainda que “o levantamento gradual das restrições à actividade económica levou a uma recuperação imediata e mais rápida e intensa do que o previsto”.

“Apesar desta evolução positiva, e mesmo que não tivéssemos uma segunda vaga, podíamos dizer que a crise ainda não tinha acabado. Em qualquer caso, já é seguro dizer que criou legados para a estabilidade financeira a médio prazo“, salientou.

Olhando para o futuro, Centeno alerta que “com a incerteza elevada e a recuperação ainda parcial, os riscos de uma retirada precoce dos apoios parecem sérios, exigindo avaliações cautelosas”. “A modulação adequada das estratégias de saída deve levar em consideração a evolução dos desenvolvimentos sanitários, económicos e financeiros”, concluiu.

“Dinâmica empresarial única” no início de 2020

Analisando a actividade empresarial em Portugal, Centeno referiu no seu discurso que “chegámos ao início de 2020 com uma dinâmica empresarial única em Portugal”.

Uma “dinâmica” que o governador explica com as Pequenas e Médias Empresas (PMEs) “O investimento das PMEs aumentou 131% e a produtividade 23%”, notou.

Mas “a realidade sectorial é ainda mais impressiva da transformação que ocorreu em Portugal, em especial nos últimos cinco anos”, disse.

“O aumento da produtividade foi maior nos sectores mais atingidos pela crise pandémica: 50% no Alojamento e Restauração; 52% no Imobiliário; 32% na Indústria Transformadora e 26% no Comércio”, apontou, frisando que “a desalavancagem foi particularmente forte no Comércio e no Imobiliário”, onde “a dívida passa de 280% do activo para 180%”.

“Claro que a pandemia colocou um travão a alguns destes desenvolvimentos e colocou desafios a todos eles”, notou ainda. Um “travão severo”, mas que “será temporário se conseguirmos manter a capacidade produtiva e estivermos preparados, e já demonstrámos a partir de Junho que estávamos, para retomar a atividade por completo”, concluiu.


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