O investimento em obras públicas em Portugal sofreu uma quebra acentuada nos primeiros cinco meses de 2026, mas a explicação para esta descida está longe de ser alarmante. É o que revela o mais recente boletim de conjuntura da AICCOPN, divulgado em junho.
Segundo a associação, o montante global dos concursos de obras públicas promovidos até final de maio ascendeu a 2.906 milhões de euros, uma redução homóloga de 44% face aos 5.219 milhões de euros registados no mesmo período de 2025.
Um efeito de comparação, não uma travagem real
A própria AICCOPN sublinha que esta contração decorre, em grande medida, de um efeito estatístico: em 2025 foi lançado o concurso extraordinário para a Linha Violeta do Metro de Lisboa, um investimento avultado que inflacionou a base de comparação desse ano. Sem esse concurso pontual, a quebra atual teria uma leitura bastante diferente.
Também o valor das empreitadas contratadas e reportadas no Portal Base recuou, embora de forma menos acentuada: 23%, totalizando 1.788 milhões de euros até maio.
Produção do setor mantém trajetória positiva
Apesar da retração nas obras públicas, o panorama geral da construção continua favorável. As previsões da AICCOPN para 2026 apontam para um crescimento da produção global do setor de 4,4%, com os edifícios residenciais também a crescer 4,4% e a engenharia civil a liderar com 5,5%.
O consumo de cimento, um dos indicadores mais fiáveis da atividade real no terreno, cresceu 4,6% até final de maio, totalizando 1.713,2 mil toneladas, confirmando que a atividade construtiva no país mantém o seu ritmo, mesmo com a contração pontual no segmento das obras públicas.
Os dados baseiam se em informação do INE, IEFP, Banco de Portugal, Base.gov.pt e GPEARI, compilada pela AICCOPN até 30 de junho de 2026.











