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Home Editorias Ciência

A estranha aurora Steve está a espalhar “riscas” verdes pelo céu (e não se sabe porquê)

Redação O Tablóide Por Redação O Tablóide
23 de novembro de 2020
Reading Time: 3 mins read
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(cv) Vanexus Photography / Youtube

Ao contrário das famosas auroras boreiais, que cobrem o céu com redemoinhos verdes, Steve aparece como uma faixa de luz branco-arroxeada que passa diagonalmente em direção ao horizonte, estendendo-se por centenas de quilómetros através da atmosfera.

Steve é semelhante a uma aurora boreal e foi documentado no Canadá, descrito como um fio vertical de luz roxa e tons esverdeados. De acordo com o estudo de 2018, o fenómeno pode ocorrer em latitudes mais baixas do que as auroras comuns.

As auroras mais comuns formam-se quando as partículas carregadas impulsionadas pelo Sol são conduzidas em direção à atmosfera superior dos polos do nosso planeta pelo campo magnético da Terra. Estas partículas solares atingem partículas neutras na atmosfera superior, e produzem luz e calor, visíveis a olho nu no céu noturno.

Pelo contrário, as Steves formam-se de forma diferente. Nas regiões onde aparecem, há um campo elétrico que aponta para o polo e um campo magnético que aponta para baixo. Os dois juntos criam esta emissão orientada para oeste.

Assim, o fluxo na ianosfera terrestre atrai as partículas solares carregadas para oeste, onde atingem e aquecem partículas neutras durante o caminho, produzindo as tais luzes ascendentes. Este fenómeno configura o primeiro indicador visível da “movimentação” de partículas carregadas, que os investigadores têm vindo a estudar via satélite há cerca de 40 anos.

Agora, uma característica recém-descoberta da Steve que só aparece na ionosfera inferior confundiu ainda mais os cientistas. Investigadores da NASA reviram centenas de horas de imagens da aurora Steve gravadas por cientistas cidadãos para procurar uma nova estrutura estranha que chamaram de “riscas”.

(dr) Stephen Voss

Essas pequenas manchas de luz verde, às vezes, são vistas estendendo-se horizontalmente da parte inferior das estacas da cerca verde de STEVE, curvando-se para trás por cerca de 20 a 30 segundos antes de desaparecer de vista.

Ninguém sabe exatamente o que são estas misteriosas riscas. Porém, o novo artigo estabelece algumas características básicas. Para começar, a aparência longa e tubular das riscas pode ser uma ilusão de ótica. As riscas comportam-se como minúsculos pontos de luz, que parecem alongados devido ao borrão de movimento.

Cada linha parece partilhar uma conexão física com a estrutura da cerca acima dela. Cada uma move-se ao longo das mesmas linhas de campo magnético. As riscas também parecem exigentes sobre onde se formam, aparecendo apenas na ionosfera entre 100 a 110 quilómetros acima da Terra.

Uma pista sobre a origem das riscas vem da sua cor verde, que é idêntica à cor da cerca de estacas da aurora Steve. De acordo com os cientistas, esse comprimento de onda verde específico está associado às emissões do oxigênio atómico na atmosfera.

É provável que as partículas turbulentas dentro da Steve estejam a colidir e a aquecer rapidamente o oxigénio do ambiente, criando pequenas “fogueiras” verdes no céu que se arrastam abaixo da cerca à medida que lentamente desaparecem.

Os traços da Steve são tão novos para a Ciência que este artigo pode ser apenas “a ponta do icebergue”, disse Elizabeth MacDonald, cientista espacial do Goddard Space Flight Center da NASA, em comunicado.

A estranha aurora Steve foi relatada pela primeira vez no Canadá por cientistas cidadão em julho de 2016. Os cientistas continuam a confiar nas observações de fotógrafos civis e astrónomos, a fim de desvendar este misterioso rio de luz na nossa atmosfera.

Este estudo foi publicado em outubro na revista científica AGU Advances.


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