Lisboa, Portugal – O Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem vindo a expandir a sua capacidade de intervenção, incrementando a atividade cirúrgica e implementando inovações tecnológicas, além de reforçar modelos de assistência como a hospitalização em casa. Estas melhorias ocorrem apesar da crescente pressão no acesso aos cuidados e do aumento da procura, conforme sublinhou a Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, na apresentação do Índice de Saúde Sustentável 2025/2026, no Centro Cultural de Belém.
Ana Paula Martins destacou que o SNS contribuiu diretamente para um “claro ganho no índice de saúde dos portugueses”, um ponto abordado durante a conferência “Sustentabilidade em Saúde”.
A ministra realçou a urgência em adaptar os métodos de prestação de cuidados de saúde e em modernizar o sistema, visando dar resposta às exigências demográficas e tecnológicas atuais. Salientou ainda os benefícios em termos de produtividade e a diminuição do absentismo laboral, decorrentes do desempenho do SNS.
Os investimentos efetuados no SNS durante o ano de 2025 geraram um retorno económico aproximado de 10,2 mil milhões de euros, originado pela redução de faltas ao trabalho e pelo acréscimo de produtividade. O novo Índice de Saúde Sustentável atribuiu uma pontuação de 59,3 ao SNS, numa escala de zero a cem, refletindo o aumento do investimento, a pressão assistencial e os desafios existentes no acesso aos cuidados de saúde.
No campo da inovação, Ana Paula Martins anunciou uma redução significativa nos prazos de aprovação de novas terapias, que desceram de uma média de 402 dias em 2022 para 254 dias em 2025. Paralelamente, a cirurgia assistida por robôs foi expandida para 20 unidades hospitalares do SNS.
A modalidade de hospitalização domiciliária registou também um crescimento notável. Entre 2020 e 2025, o número de pacientes que receberam alta através deste tipo de acompanhamento assistencial disparou de 4.830 para 14.251, o que representa um acréscimo de 195%.
Apesar destes avanços, a Ministra da Saúde reconheceu os obstáculos persistentes no acesso aos cuidados de saúde, vinculados ao aumento contínuo da procura. Defendeu, por isso, a necessidade de otimizar os processos, simplificar os procedimentos burocráticos e acelerar a digitalização do sistema.
“Quando abordamos a sustentabilidade, não estamos apenas a considerar a eficiência”, explicou Ana Paula Martins. “Falamos, fundamentalmente, de impedir que doenças sejam evitadas e de elevar a qualidade de vida para as gerações presentes e futuras.”
A edição deste ano do Índice de Saúde Sustentável, da autoria da Nova IMS, incluiu uma nova dimensão dedicada à prevenção. Esta componente avalia indicadores cruciais como os níveis de vacinação, a adesão a programas de rastreio, a frequência de consultas preventivas e as iniciativas de promoção da saúde entre a população.











