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Home Ciência

Antigas guerreiras mongóis podem ter inspirado a famosa lenda de Mulan

Redação O Tablóide Por Redação O Tablóide
4 de Maio de 2020
Reading Time: 3 mins read
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(dr) Disney

A história de Mulan, uma jovem que se disfarça de homem que lutar pelo imperador da China, é uma das narrativas mais conhecidas do mundo. Há muito que se pensa que Mulan foi inspirada em guerreiras reais dos Xianbei, um antigo povo nómada da Mongólia moderna e do nordeste da China. 

Agora, os antropólogos acreditam ter encontrados evidências físicas destas mulheres guerreiros em restos mortais e esqueletos encontrados naquela região.

A lenda chinesa de Mulan aparece pela primeira vez em vários textos antigos, tornando-se uma canção folclórica, “The Ballad of Hua Mulan”, transcrita no século VI.

A história foca-se numa jovem do norte de Wei, entre 386 e 536, que toma o lugar do pai quando cada família é obrigada a fornecer um homem para servir no exército do imperador. Hua Mulan serve durante 12 anos, período no qual nenhum dos seus colegas soldados suspeita do seu verdadeiro sexo. Versões posteriores da lenda apareceram mais tarde, no final da dinastia Ming, em 1593 e no século XVII.

Christine Lee, que é antropóloga na California State University, especializada na região do Leste Asiático, organizou um simpósio na conferência da Associação Americana de Antropólogos Físicos – agora cancelada devido à pandemia de covid-19 – chamada “A vida oculta das mulheres”, examinando evidências arqueológicas de restos esqueléticos na esperança de obter uma imagem mais precisa dos papéis históricos das mulheres.

A contribuição de Lee para o simpósio centrou-se nas mulheres guerreiras, especificamente nas mulheres nómadas que viveram a norte da Grande Muralha da China há milhares de anos. Os Xiongnu viveram na região há 2.200 anos, sendo deslocados pelos Xianbei há cerca de 1.850 anos. Os Xianbei, por sua vez, foram deslocados há cerca de 1470 anos pelas populações turcas.

Durante anos de trabalho de campo, Lee recolheu alguns dados da China e da Mongólia. Juntamente com a colega Yahaira Gonzalez, reexaminou esqueletos de 29 antigos cemitérios da Mongólia em busca de evidências de artrite, trauma e certos marcadores músculo-esqueléticos.

De acordo com o New Scientist, três dos esqueletos pertenciam a mulheres Xianbei – e duas eram potencialmente guerreiros.

Lee e Gonzalez chegaram a essa conclusão, em parte devido à natureza das marcas deixadas nos ossos onde os músculos estavam ligados. As marcas são maiores se o músculo for muito usado, e o padrão de marcas nos esqueletos de ambas as mulheres sugere que usaram rotineiramente os músculos que alguém usaria a andar a cavalo. Havia também indicações de que praticaram arco e flecha.

“É um pequeno tamanho de amostra, apenas 29 enterros, e há duas mulheres que se encaixam no projeto”, disse Lee, citada pelo Ars Technica. “Isso é realmente muito. Não esperava encontrar nenhuma”.

Este papel expandido para certas mulheres pode estar relacionado com a instabilidade política daquela época, que foi marcada por surtos de violência durante várias centenas de anos após o colapso da dinastia Han da China em 220. Por outro lado, os esqueletos de três mulheres turcas não mostraram evidências de praticar arco e flecha e apenas sinais mínimos de andar a cavalo.

Lee não encontrou evidências de trauma, porque os restos provavelmente pertenciam a membros da classe de elite, com base na sua presença nos túmulos, que são mais parecidos com túmulos, com cerca de seis a dez metros de profundidade em várias salas.

“Pode ser que a elite não tenha sido autorizada a entrar em combate corpo a corpo”, disse Lee, uma vez que outros esqueletos da China e da Mongólia mostram sinais de terem estado em batalha.

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