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Home Editorias Ciência

Antigos maias construíram filtros de água sofisticados (capazes de funcionar nos dias de hoje)

Redação O Tablóide Por Redação O Tablóide
27 de outubro de 2020
Reading Time: 3 mins read
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Beth and Anth / Flickr

Cidade de Tikal

De acordo com uma pesquisa da Universidade de Cincinnati (UC), os antigos maias da cidade de Tikal construíram sofisticados filtros de água através do uso de materiais naturais importados.

Os investigadores da UC descobriram evidências de um sistema de filtros no reservatório Corriental – uma importante fonte de água potável para os antigos maias.

A descoberta da UC foi publicada na revista Scientific Reports em outubro.

Uma equipa de antropólogos, geógrafos e biólogos da UC identificou quartzo cristalino e zeólita importados. O quartzo encontrado na areia grossa junto com a zeólita, um composto cristalino que consiste em silício e alumínio, cria uma peneira molecular natural. Ambos os minerais são usados na filtragem de água moderna.

Os filtros removerem micróbios nocivos, compostos ricos em nitrogénio, metais pesados como o mercúrio e outras toxinas da água, revelou Kenneth Barnett Tankersley, professor de antropologia e principal autor do estudo. “O mais interessante é que este sistema ainda seria eficaz hoje e os maias já o tinham descoberto há mais de 2000 anos”, afirmou o investigador.

Os maias criaram o sistema de filtragem de água quase 2000 anos antes de sistemas semelhantes serem usados na Europa, tornando-o num dos mais antigos sistemas de tratamento de água do mundo.

Investigadores da Faculdade de Artes e Ciências da UC analisaram o zeólito e o quartzo em locais íngremes perto de Bajo de Azúcar, a cerca de 29 km a nordeste de Tikal.

Os especialistas usaram a análise de raios-X para identificar zeólita e quartzo cristalino nos sedimentos do reservatório. Em Tikal, a zeólita foi encontrada exclusivamente no reservatório Corriental.

Michael Miller, University of Cincinnati

Investigadores a fazer trabalho de campo, entre eles Nicholas Dunning, Vernon Scarborough e David Lentz

Para os antigos maias, encontrar maneiras de recolher e armazenar água limpa era muito difícil. Tikal e outras cidades maias foram construídas sobre calcário poroso, o que dificultou o acesso à água potável na maior parte do ano durante as secas sazonais.

O professor de geografia da UC, Nicholas Dunning, encontrou uma fonte provável do quartzo e do zeólito há cerca de 10 anos, enquanto conduzia um trabalho no Guatemala. “Era um tufo vulcânico exposto e envelhecido de grãos de quartzo e zeólita. Estava a dar água a bons níveis”, referiu o especialista.

Dunning recolheu amostras do material, e mais tarde, os investigadores da UC analisaram que o quartzo e o zeólito eram semelhantes aos minerais encontrados em Tikal. “Foi, provavelmente, através da observação empírica que os antigos maias viram que esse material em particular estava associado à água limpa e fizeram um esforço para transportá-lo de volta”, disse Dunning.

Num artigo publicado no início deste ano na Scientific Reports, a equipa de pesquisa  descobriu que alguns reservatórios em Tikal ficaram poluídos com níveis tóxicos de mercúrio, possivelmente por causa de um pigmento chamado cinábrio, que os maias usavam em paredes de gesso e em sepulturas cerimoniais. Contudo, Corriental permaneceu sem ficar contaminado.

Os investigadores explicam que que o sistema de filtragem pode ter protegido os antigos maias de bactérias nocivas e outras toxinas que poderiam ter feito com que as pessoas que beberam do reservatório ficassem doentes.

Segundo o Phys, outros sistemas complexos de filtragem de água foram descobertos em outras civilizações antigas, como é o caso da Grécia, do Egito e do Sul da Ásia.

Contudo, esta descoberta é uma “inovação notável” uma vez que “os antigos maias viviam num ambiente tropical e precisavam de ser inovadores”.


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