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Home Economia

António Ramalho: “Novo Banco herdou carteira de imóveis má, velha e ilegal”

Redação O Tablóide por Redação O Tablóide
15 de setembro de 2020
Reading Time: 4 mins read
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António Pedro Santos / Lusa

O presidente do Novo Banco, António Ramalho, intervém durante a sua audição na comissão de Orçamento e Finanças.

Ouvido esta terça-feira no Parlamento, o presidente executivo do Novo Banco, António Ramalho, diz que o Novo Banco herdou uma carteira de ativos velha, má e ilegal.

O presidente executivo do Novo Banco, António Ramalho, está esta terça-feira a ser ouvido no Parlamento, para dar explicações sobre a gestão danosa do banco, após a divulgação da auditoria da Deloitte. A audição foi aprovada após várias polémicas relacionadas com vendas de carteiras de ativos e injeções de capital do Fundo de Resolução no banco.

A auditoria revelou que quase metade das perdas com créditos verificou-se entre o final de 2017 e 2018, já quando o banco era maioritariamente detido pelo fundo norte-americano Lone Star. Além disso, revela a Deloitte, “uma parte relevante dos devedores para os quais foram registados reforços de imparidade em 2017 e 2018 apresentava já incumprimento ou outros ‘triggers’ de risco em períodos anteriores”.

No Parlamento, António Ramalho disse hoje que “há um processo de venda obrigatório de ativos imobiliários, ativos que herdou – uma carteira velha, má e ilegal”.

“Infelizmente, se vendessemos tudo caso a caso isto demoraria 15 a 20 anos, usando uma Remax ou uma ERA da vida… A venda em pacote era inevitável, foi para todos – foi inevitável para o BCP, para a Caixa Geral de Depósitos, para o BPI, para o Santander, para todos”, justificou.

Em relação ao pacote Viriato, cuja vende recaiu sobre a Alantra, consultora espanhola que tem uma ex-diretora do BES como líder em Portugal, António Ramalho defende que não iria prejudicar ninguém só por causa de percurso profissional anterior. “Eu não conheço a dra. Rita Barosa, até sei que foi membro de um Governo”, acrescentou, citado pelo Observador.

Mais à frente na audição, Cecília Meireles, do CDS, voltou a tocar no assunto na sua intervenção: “O que percebemos é que o banco deixa de ser proprietário dos imóveis para ser credor em 68% do empréstimo – qualquer pessoa razoável olha para isto e vê o banco a ficar na mesma situação se tivesse registado a perda e tivesse entregue a gestão dos imóveis”.

O presidente do Novo Banco recusa a ideia de que tenham havido vendas ruinosas ou a valores muito baixos, sendo que até pediu que “fossem exercidas direito de preferência das câmaras”. De mais de 6.000 edifícios, apenas oito foram exercidas.

“Tenho a certeza de que o processo foi adequado, que o preço foi de mercado e que a estratégia de venda era a única estratégia possível”, disse António Ramalho, salientando que a operação já foi seguida não só pelo Ministério Público mas também pelo Banco Central Europeu.

Com uma capa do jornal Público na mão, cuja manchete mencionava vendas de 13.000 casas a um fundo nas ilhas Caimão, que tinha como fotografia a fachada de uma casa em Mangualde vendida, o banqueiro diz que é “pena que não tivesse fotos do interior e do estado das divisões, e das casas de banho”.

Afonso Oliveira, deputado do PSD, questionou a celeridade de todo o processo: “Será que foi tudo vendido mais rápido do que era necessário?”. Em resposta, António Ramalho recusa que o Novo Banco tivesse muito tempo para vender os ativos: “Nós não estamos adiantados, estamos 4 anos atrasados”.

Por sua vez, a bloquista Mariana Mortágua disse que “houve uma indicação dada ao mercado de que o banco ia vender ativos à pressa e com desconto, coberto por uma garantia de Estado – mesmo sendo vendas a preço de mercado isso não faz com que deixem de ser desastrosas para o Estado e benéficas para os investidores”. A deputada do Bloco de Esquerda trouxe ainda à baila os negócios com Luís Filipe Vieira.

“A sra deputada resolveu falar de clientes concretos, eu não considero que tenha condições para falar aqui”, disse Ramalho. “O que falou é sobre a informação a que a deputada teve acesso é que não houve, em algum caso, aumento de exposição”.

Duarte Alves, do PCP, disse que tudo isto serve para mostrar que o “controlo público” do Novo Banco é a única solução para a instituição.

Primeiro, António Ramalho recuou para responder a uma pergunta do socialista João Paulo Correia, que o questionou sobre as cerca de 140 “desconformidades” encontradas na auditoria.

“Desconfiem de auditorias que não têm findings, é porque não foram bem feitas – ninguém é perfeito a fazer o trabalho como o que estamos a fazer, mas nenhum finding teve impacto na conta de exploração”, explicou o presidente executivo do Novo Banco.

“Recuperar crédito é uma atividade extraordinariamente difícil”, acrescentou, explicando que a gestão dos ativos “a qualquer momento” pode ser feita pelo Fundo de Resolução. António Ramalho, de acordo com o Observador, deu a entender que, por vezes, preferia que assim fosse.


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