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Home Editorias Ciência

Carraças preferem humanos aos cães quando as temperaturas aumentam

Redação O Tablóide por Redação O Tablóide
22 de novembro de 2020
Reading Time: 3 mins read
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(CC0/PD) StockSnap / Pixabay

As conclusões deste novo estudo são um sinal preocupante de como as alterações climáticas podem aumentar o risco de os humanos contraírem doenças transmitidas por carraças.

De acordo com o novo estudo, citado pelo site Live Science, à medida que as temperaturas sobem, como resultado das alterações climáticas, as carraças podem mudar as suas preferências alimentares dos cães para os humanos.

“O nosso trabalho indica que, quando o tempo fica mais quente, devemos ser muito mais vigilantes em relação à febre da carraça em humanos”, afirmou Laura Backus, veterinária e estudante de doutoramento na Escola de Medicina Veterinária da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

“Descobrimos que, quando as temperaturas aumentaram de cerca de 23 para 38 graus Celsius, os carrapatos Rhipicephalus sanguineus tinham 2,5 vezes mais probabilidade de preferir os humanos aos cães“, acrescentou.

Segundo Backus, cujo estudo foi apresentado, esta segunda-feira, no Encontro Anual da Sociedade Americana de Medicina Tropical e Higiene, predizer surtos desta doença é difícil, mas saber o que faz as carraças irem atrás dos humanos pode ajudar.

“Se pudermos identificar as situações, os fatores ambientais, que levam os humanos a serem picados com mais frequência, podemos então ser capazes de identificar e intervir mais rapidamente e reduzir os casos”, disse a investigadora ao mesmo site.

Estudos anteriores já tinham sugerido que a temperatura pode ser um desses fatores, ou seja, que as carraças Rhipicephalus sanguineus podem ser mais agressivas com os humanos em climas quentes.

Para testar esta hipótese, a equipa recrutou alguns (bravos) voluntários humanos e caninos. Os investigadores montaram duas grandes caixas de madeira, sendo que numa ficou um cão e na outra um humano, conectadas por um tubo de plástico transparente.

De seguida, os cientistas libertaram 20 carraças através do tubo e, durante 20 minutos, observaram se estes parasitas, que escolhem os seus hospedeiros pelo cheiro, se moviam em direção ao cão, ao humano ou ficavam parados.

Os investigadores realizaram o experimento em duas temperaturas diferentes – cerca de 23,3 graus e de 37,8 graus – e usaram dois tipos de carraças comuns, as tropicais e as temperadas. Fizeram 10 testes em cada temperatura para cada tipo de carraça.

As carraças tropicais foram mais propensas a mover-se em direção aos cães na chamada temperatura ambiente, com uma média de 5,2 das 20 carraças a dirigir-se ao cão e 2,9 ao humano, disse Backus.

Em altas temperaturas, entretanto, mudaram a sua preferência: uma média de 4,4 carraças moveram-se em direção ao cão, enquanto 7,5 se dirigiram ao humano. Nestas temperaturas, os parasitas também eram mais propensos a fazer uma escolha, em vez de ficarem parados no meio do tubo.

No entanto, os resultados foram menos claros para as carraças temperadas. Em temperaturas mais altas, significativamente menos parasitas escolheram os cães. E pouco mais deles também escolheram os humanos em temperaturas mais altas, mas esse aumento não foi estatisticamente significativo.

Os investigadores não têm a certeza do que faz com que as carraças mudem as suas preferências. “Em temperaturas mais altas, podem estar mais ansiosas para encontrar um hospedeiro porque, nesses casos, têm maior probabilidade de secar e morrer mais depressa”, sugere Backus.

Mas isso continua a não explicar porque é que estes parasitas preferem mais os humanos do que os cães nessas temperaturas mais altas, acrescentou.

A doença da carraça é causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, transmitida pela picada de carraças que geralmente se alimentam de cães. Nos primeiros cinco dias da doença, os antibióticos podem curá-la, mas, se não for tratada, pode ser fatal.


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