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Home Economia

Caso de corrupção que envolve Vitorino também implica o genro de Dias Loureiro, a Galp e o BES

Redação O Tablóide por Redação O Tablóide
5 de fevereiro de 2020
Reading Time: 3 mins read
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ISCTE / Flickr

O antigo comissário europeu e ex-dirigente socialista António Vitorino

A justiça espanhola está a investigar um caso de corrupção e branqueamento de capitais que inclui transferências suspeitas para contas de António Vitorino, ex-ministro da Defesa de Guterres, e da sua empresa. Os suspeitos são o ex-embaixador de Espanha em Portugal, Raul Morodo, e o filho Alejo Morodo que é casado com a filha do também ex-ministro Dias Loureiro (PSD).

O processo investiga o pagamento de eventuais “luvas” pela facilitação de negócios e o alegado desvio de mais de 4,4 milhões de euros da PDVSA, a petrolífera estatal venezuelana. Parte do valor, cerca de 2,6 milhões de euros, terá saído de contas da PDVSA no BES em Lisboa, com destino à offshore Furnival Barristers, sediada no Panamá e pertencente a Alejo Morodo.

A Furnival Barristers terá servido para distribuir o dinheiro por contas da Aequitas Abogados y Consultores, a empresa de Alejo Morodo, num alegado esquema de branqueamento de capitais que envolve também a sociedade Intercatera Desarrollo SL, detida em 50% por Ana Catarina Loureiro, a filha de Dias Loureiro, que também é mencionada no processo.

Na investigação do Departamento Especial Contra a Corrupção e a Criminalidade Organizada do Ministério Público (MP) de Espanha a que o Observador teve acesso referem-se transferências suspeitas das empresas Morodo Abogados Y Asociados SL, detida por Raul Morodo, e Aequitas Abogados y Consultores para a empresa de Vitorino e da sua mulher, a Emab Consultores, Lda. Um das transferências, da ordem dos 70 mil euros, terá sido feita pela Aequitas Abogados directamente para uma conta pessoal de Vitorino.

Estão em causa valores da ordem dos 325 mil euros que representam 28% do total das receitas da empresa de Vitorino, entre 2012 e 2018, conforme os relatórios de contas consultados pelo Público.

“Parece necessário investigar se os serviços de consultadoria prestados pela Emab Consultores Lda. e António Manuel Carvalho Ferreira Vitorino que deram lugar a estas transferências são reais e se existe documentação que prove os mesmos serviços“, refere o relatório da Unidade de Apoio da Autoridade Tributária Espanhola citado pelo Observador.

A Galp Energia também surge mencionada no processo devido a alegados serviços prestados pelas empresas dos Morodo a sociedades subsidiárias da empresa portuguesa. Alejo Morodo terá sido consultor da Galp Energia España, SA entre 2012 e 2013. As transferências detectadas são vistas pelos investigadores espanhóis como eventuais pagamentos pela facilitação do acordo que a Galp assinou com a PDVSA em 2008, para a instalação de quatro parques eólicos na Venezuela e para a compra de petróleo, e que teve a intermediação de José Sócrates e Hugo Chávez que eram, na altura, o primeiro-ministro de Portugal e o presidente venezuelano, respectivamente.

Alejo Morodo é suspeito de ter actuado como testa-de-ferro do seu pai que foi embaixador de Espanha na Venezuela, entre 2004 e 2007, depois de ter sido também Embaixador em Portugal, entre 1995 e 1999. Foi nessa altura que Vitorino se começou a relacionar com os Morodo, conforme o próprio admite em nota enviada ao Público.

O actual director-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM) da ONU assegura, na mesma nota, que “em momento algum esses serviços de consultadoria tiveram qualquer relação com a Venezuela“. Vitorino esclarece que prestou esses serviços “em assuntos referentes à União Europeia e às relações entre Portugal e Espanha” a uma das duas sociedades de advogados mencionadas no processo, entre 2011 e 2017. Mas não faz qualquer referência à transferência da empresa de Alejo Morodo para a sua conta pessoal.

Noutro comunicado enviado ao Público em Janeiro passado, quando surgiram as primeiras notícias sobre o tema, Vitorino garantia que a sua empresa “se encontra suspensa e sem qualquer actividade desde 2018”, assegurando ainda que nunca foi notificado de nada pela Justiça espanhola. O ex-ministro também refutava “veementemente as insinuações” noticiadas e garantia que ia actuar no sentido de “repor o [seu] bom-nome, o bom-nome da sua mulher e da empresa”.

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