A economia da Guiné-Bissau registou uma expansão de 5,8% em 2025, impulsionada sobretudo pelo setor agrícola. No entanto, o fôlego financeiro esbarra numa dívida pública asfixiante e na dependência extrema da produção de caju. Os dados constam de uma nova análise económica ao país africano, apresentada esta quarta-feira.
O grande motor deste desempenho foi a forte colheita de caju, que elevou os rendimentos no meio rural e estimulou o consumo das famílias. Mas este fôlego tem limites. Rosa Brito, representante da instituição internacional de desenvolvimento no país, alerta que a resiliência assente numa única cultura não assegura a estabilidade a longo prazo. Para a responsável, criar postos de trabalho de qualidade e melhorar a vida das famílias exige reformas profundas, como um sistema fiscal mais equitativo, maior acesso ao financiamento e instituições que ofereçam real confiança ao tecido empresarial.
Balanço orçamental e alívio temporário
Há, ainda assim, boas notícias no orçamento familiar. A inflação registou uma queda drástica, passando de 3,8% em 2024 para uns confortáveis 0,9% em 2025. O alívio surge num período de forte instabilidade política. No campo das contas públicas, o défice orçamental recuou para os 6,5% do PIB. Contudo, esta consolidação resultou de cortes na despesa pública e não de uma melhoria na cobrança de receitas pelo Estado.
O calcanhar de Aquiles do desenvolvimento guineense continua a ser o endividamento, que atingiu 75,6% do PIB — um valor que viola os limites estabelecidos pela União Económica e Monetária da África Ocidental (Uemoa). A juntar a este cenário, a banca debate-se com um rácio de crédito malparado superior a 22%, o que asfixia a concessão de empréstimos às empresas privadas.
Nuvens no horizonte para 2026
O futuro imediato antecipa alguns travões. A previsão oficial aponta para um abrandamento do crescimento económico para 4,8% em 2026. Esta desaceleração reflete a quebra no investimento e o clima de incerteza que se seguiu à transição política de novembro de 2025.
Além disso, a conjuntura internacional não ajuda. A instabilidade no Médio Oriente promete encarecer a importação de combustíveis e alimentos, ameaçando atrasar o combate à pobreza extrema, que deverá fixar-se nos 38% até 2028. Para contornar a crise, as recomendações passam por facilitar o microcrédito, dar apoio focado a negócios geridos por mulheres, garantir uma rede elétrica estável e assegurar a transparência na gestão dos serviços públicos.











