O Chega anunciou que fará um escrutínio político “implacável” ao novo ministro da Administração Interna, Luís Neves, e que o convocará em breve ao parlamento para prestar esclarecimentos.
A posição foi transmitida por Rui Gomes da Silva, na qualidade de membro do “Governo sombra” do partido, em conferência de imprensa na sede nacional da força política.
Críticas ao “paradigma cor-de-rosa”
O Chega pretende saber se Luís Neves mantém a leitura que fez no passado sobre a evolução da criminalidade em Portugal — classificada por Rui Gomes da Silva como uma visão “cor-de-rosa”.
O partido discorda de declarações anteriores do agora ministro, quando, enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária, afirmou não existir relação entre imigração e aumento da criminalidade violenta, alertando ainda para a disseminação de “fake news” sobre o tema.
Segundo Rui Gomes da Silva, os dados demonstrariam aumentos em:
- Crimes sexuais;
- Crimes violentos;
- Criminalidade grave;
- Ilícitos associados ao fenómeno migratório.
O dirigente sustentou que estas situações “não são perceções”, mas realidades que exigem resposta política.
Dossiês prioritários
O Chega elencou ainda um conjunto de áreas que considera críticas para a nova tutela da Administração Interna:
- Revisão das carreiras nas forças de segurança;
- Eventual comando unificado dos bombeiros;
- Reorganização da Proteção Civil;
- Resposta estrutural à criminalidade.
Rui Gomes da Silva sublinhou que o percurso anterior de Luís Neves na Polícia Judiciária não garante automaticamente eficácia na nova função governativa.
Contexto da nomeação
Luís Neves, diretor nacional da Polícia Judiciária desde 2018, licenciado em Direito e com carreira iniciada na PJ em 1995, substitui Maria Lúcia Amaral, que se demitiu após críticas à gestão da resposta à depressão Kristin.
A nomeação foi aceite pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sob proposta do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que assumiu interinamente a pasta da Administração Interna após a demissão da anterior ministra.
O Chega deixa assim claro que a atuação do novo ministro será acompanhada de perto no plano parlamentar, sobretudo no que respeita à política de segurança interna e à leitura oficial dos dados da criminalidade.







