O novo ministro da Administração Interna, Luís Neves, alertou para a falta de atratividade da carreira policial e classificou como “não aceitável” o nível salarial praticado na Polícia de Segurança Pública (PSP).
As declarações foram feitas no podcast Direito à Justiça, da Rádio Renascença em parceria com a Ordem dos Advogados, gravado quando ainda exercia funções como diretor nacional da Polícia Judiciária.
Impacto do custo de vida
Luís Neves exemplificou a situação com o caso de agentes deslocados do interior para Lisboa, onde o custo da habitação absorve grande parte do vencimento:
“Não é aceitável que um elemento venha a entrar como agente da PSP, que venha do interior do país […] e que metade do seu vencimento seja para pagar uma casa.”
O futuro ministro sublinhou que a profissão policial é uma “missão nobre”, mas advertiu que salários baixos comprometem:
- A atratividade da carreira;
- A motivação e moral dos profissionais;
- A autoestima coletiva das forças;
- A capacidade de recrutamento e retenção de quadros qualificados.
Contexto político
A nomeação de Luís Neves para ministro da Administração Interna foi aceite pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sob proposta do primeiro-ministro. O novo governante substitui Maria Lúcia Amaral, que se demitiu após críticas à gestão da resposta à depressão Kristin.
Em 2023, enquanto diretor da Polícia Judiciária, Luís Neves negociou um aumento de cerca de 600 euros no subsídio de risco dos inspetores da PJ, medida que gerou contestação por parte de elementos da PSP e da Guarda Nacional Republicana (GNR), que reclamaram tratamento idêntico.
Defesa de melhores condições
No podcast, o futuro ministro reiterou que sempre defendeu melhores condições salariais para todas as forças de segurança, reconhecendo a interdependência operacional entre PJ, PSP e GNR no combate à criminalidade.
Luís Neves, que lidera a Polícia Judiciária há oito anos e conta com cerca de três décadas de serviço na investigação criminal, toma posse na próxima segunda-feira, às 10h00, no Palácio de Belém, em Lisboa.










