Os mais recentes indicadores revelam uma evolução favorável da economia portuguesa, mas especialistas alertam que os números «refletem o passado» e não asseguram a mesma dinâmica nos próximos trimestres.
O Instituto Nacional de Estatística (INE) reviu em baixa a dívida pública de 2023, fixando-a em 93,6% do Produto Interno Bruto (PIB) — um resultado que o Governo classifica como «boa notícia» e sinal de «trajetória orçamental prudente e responsável».
Além disso, o setor das Administrações Públicas registou um excedente orçamental de 1,9% do PIB no segundo trimestre, e o crescimento económico em 2024 foi ajustado para 2,1%, acima dos 1,9% inicialmente previstos.
Apesar dos avanços, Henrique Tomé, analista da XTB, sublinha que estes são dados positivos, mas referentes ao passado. O especialista alerta que a incerteza futura é elevada, num contexto em que se antecipa desaceleração das principais economias mundiais, o que poderá penalizar também Portugal.
As projeções do Conselho das Finanças Públicas apontam para uma revisão em baixa do crescimento nacional: de 2,2% para 1,9% em 2025, e para 1,8% em 2026, menos duas décimas face ao estimado em abril. Segundo Tomé, um crescimento mais fraco poderá traduzir-se em menor consumo, menos investimento e risco de aumento do desemprego, embora este cenário permaneça sujeito a revisões.
Também a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) prevê que, embora a economia mundial cresça 3,2% em 2025, deverá perder fôlego nos anos seguintes. Num contexto de arrefecimento europeu e global, Portugal poderá enfrentar uma desaceleração, sobretudo devido à sua dependência do turismo e das exportações.











