O catálogo de ameaças celestes continua a crescer. Em 2025, a Agência Espacial Europeia (ESA) confirmou a existência de mais de 40 mil asteroides próximos da Terra (NEOs, na sigla inglesa). As dimensões destes objetos variam drasticamente: de simples rochas com poucos metros a corpos massivos com vários quilómetros de diâmetro.
A fase atual da exploração espacial é marcada por uma mudança de prioridades. Uma vez que a vasta maioria dos asteroides com mais de um quilómetro — capazes de provocar catástrofes globais — já está identificada e sob vigilância, o foco dos cientistas virou-se para os objetos de dimensão média, situados entre os 100 e os 300 metros.
O astrofísico Nuno Peixinho sublinha que a estratégia passa pela implementação de sistemas robotizados e automatizados. Estas ferramentas são desenhadas para rastrear o movimento de rochas mais pequenas, cuja deteção é um desafio constante. De acordo com o investigador, a dificuldade reside na própria natureza destes objetos: quanto menores forem, mais complexo se torna o seu seguimento. Atualmente, estima-se que apenas 30% destes corpos espaciais de tamanho médio tenham sido detetados pelos modelos da ESA.
Embora uma colisão com um asteroide desta escala não represente o fim da civilização, o impacto seria devastador. Nuno Peixinho alerta que um embate de um corpo com estas medidas causaria consequências catastróficas a nível regional. A atmosfera terrestre atua como um escudo eficaz contra fragmentos pequenos, com três a cinco metros, que se desintegram devido à fricção e ao calor antes de tocarem o solo. Contudo, a margem de segurança diminui à medida que o tamanho do objeto aumenta.
A relevância destes corpos celestes ultrapassa a sombra de uma possível catástrofe. Existe um interesse científico crescente em compreender o papel dos asteroides na construção do próprio Sistema Solar. Desde os confins do Cinturão de Kuiper até ao espaço entre Marte e Júpiter, estes milhões de objetos funcionam como um arquivo da evolução planetária.
O estudo destes viajantes espaciais permite, por exemplo, investigar a origem da água na Terra e a forma como a vida surgiu no nosso planeta. O astrofísico destaca que a análise de asteroides ricos em carbono e partículas orgânicas é vital para decifrar se estes elementos foram, ou não, os responsáveis por trazerem os ingredientes necessários para a vida até à superfície terrestre. O fascínio pelo risco de destruição é real, mas o valor científico escondido nas rochas espaciais é o que verdadeiramente ajuda a desenhar a história da nossa existência.





