O Tabloide Portugal
  • Editorias
    • Cultura
      • Artes
      • Famosos
      • Literatura
      • Música
      • Teatro
    • Desporto
    • Economia
    • Educação
    • Ciência
    • Internacional
    • Justiça
    • País
    • Policial
    • Politica
    • Saúde
      • Saúde Pública
    • Sociedade
    • Tecnologia
      • Internet
  • Últimas Noticias
  • Contacto
  • Estatuto Editorial
Nenhum Resultado
Ver Resultado
O Tabloide Portugal
  • Editorias
    • Cultura
      • Artes
      • Famosos
      • Literatura
      • Música
      • Teatro
    • Desporto
    • Economia
    • Educação
    • Ciência
    • Internacional
    • Justiça
    • País
    • Policial
    • Politica
    • Saúde
      • Saúde Pública
    • Sociedade
    • Tecnologia
      • Internet
  • Últimas Noticias
  • Contacto
  • Estatuto Editorial
Nenhum Resultado
Ver Resultado
O Tabloide Portugal
Nenhum Resultado
Ver Resultado
Home Editorias Ciência

Do cavaquinho ao ukelele

Redação O Tablóide por Redação O Tablóide
3 de abril de 2023
Reading Time: 4 mins read
A A
0

Há quem diga que os povos das ilhas partilham um instinto comum, o de quem vive cercado por mar, longe dos compatriotas e restantes nações, que isolados dos mesmos desenvolvem uma cultura distinta e única.

O arquipélago Madeirense é o exemplo contemporâneo desse fenómeno, cuja população, desde o povoamento inicial da ilha no séc. XV tem deixado a sua marca no mundo, pois como o seu hino regional afirma “ … Madeira teu nome continua […] em teus filhos saudosos que além fronteiras de ti se mostram orgulhosos …”, um povo definido pelo trabalho árduo agrícola nos íngremes vales que “serpenteiam” pela ilha, assim como a pesca que é abundante nas suas águas, o seu estado de semi-isolamento forjou a sua identidade. Hoje em dia, a cultura Madeirense, embora não sendo muito distinta da Portuguesa continental, tem os seus traços únicos, valorizados e amados pelo seu povo assim como por quem lá passa, desde o sotaque único do arquipélago, as suas iguarias, destas, destacando-se pratos como a famosa “espetada madeirense” ou o “bolo do caco”, a origem destes sendo interligada inteiramente à vivência deste povo insular.

Embora sendo uma simples ilha no atlântico como as demais, o destino eventualmente teve outros planos para a região, pois o povo Madeirense além de boa comida e palavreado, tem também boa música a oferecer. Dispondo de instrumentos tradicionais Portugueses, os habitantes foram ao longo dos séculos desenvolvendo o seu próprio estilo musical. O “Bailinho da Madeira” é hoje um dos exemplos mais populares, sendo uma obra composta inteiramente por instrumentos musicais Madeirenses, o mais famoso destes sendo o “brinquinho” um instrumento muito peculiar e, inteiramente regional. No entanto, os instrumentos mais famosos e que levaram a elaboração deste artigo, são o “Cavaquinho Madeirense”, conhecido também como “Machete Madeirense”, e o “Rajão Madeirense” (uma guitarra de 5 cordas tradicional) assim chamado desde o séc. XIX. O Machete Madeirense sendo desenvolvido à imagem do seu contemporâneo continental, o Cavaquinho Português, divergindo apenas na técnica de fabrico, afinação e método, assim como o Rajão. Mas como é que esta peça originou o famoso ukelele Havaiano?

A história começa com a grande migração insular Portuguesa do séc. XIX, com destino as “ilhas sandwich” como eram conhecidas na altura. Esta migração tem por trás histórias de fome e miséria, acontece que até então a produção de vinho na Madeira tinha entrado em declínio, o pouco terreno arável que existia encontrava-se desgastado e pouco era o terreno habitável disponível. Estes fatores levaram a que muitos habitantes migrassem, algo não incomum na história Madeirense, mas o que se nota nesta migração  em específico é o número de emigrantes, chegando aos milhares.

Mas o que levará o monarca Havaiano a importar uma mão de obra tão distante? A resposta está no cultivo do açúcar, uma cultura emergente nas ilhas do pacífico, no entanto foi graças a Wilhem Hillebrand, um botânico Alemão e membro da corte Havaiana, que o povo Madeirense teve esta oportunidade de ouro. Wilhem trabalhava como agente de imigração para o rei Kamehameha V, contratando trabalhadores do sudeste-asiático para trabalhar nas plantações do Havai. No ano de 1876 durante a sua viagem pelo globo depara-se com o arquipélago Madeirense (na altura a região era conhecida pelo seu excelente tratamento de problemas respiratórios, Wilhem pretendia curar a sua esposa durante a sua estadia da ilha),  após passar um tempo escreve uma carta ao rei Havaiano com uma descrição da topografia e demografia da região, salientando as dificuldades económicas e qualidades de trabalho de campo do povo, como essas iriam ser cruciais para a cultura do açúcar, na sua carta o botânico descreve o povo Madeirense como honesto, sóbrio e trabalhador. Em 1872 circulou panfletos pela ilha de modo a recrutar possíveis migrantes trabalhadores, a sua missão foi bem-sucedida, tanto que entre 1878 e 1913 milhares de Madeirenses migraram para as ilhas pacíficas e lá edificaram suas famílias e habitações.

É neste contexto que 5 indivíduos surgem, João Fernandes e José Luís Correia, dois músicos e Manuel Nunes, Augusto Dias e José do Espírito Santo, sendo estes construtores, em 23 de Agosto de 1879 a embarcação “Ravenscrag” zarpa do porto do Funchal para Honolulu, na viagem é dito que João Fernandes trazia consigo o seu Cavaquinho, entretendo os seus camaradas na longa viagem com as suas músicas, ao chegar ao porto não tarda volta a pegar no instrumento, os locais ao ouvirem tal música encantaram-se tanto que apelidaram o instrumento de “ukelele” significando “pulga saltadora”, uma referência ao modo único de como é tocado. A partir daí João Fernandes foi pouco a pouco introduzindo o cavaquinho na cultura Havaiana, primeiro com as danças populares, em seguida criando um conjunto com Augusto Dias e José Luís Correia, e também, em 1884 desde a chegada de Manuel Nunes que este constrói uma oficina musical onde, o instrumento é produzido. O fabrico com o tempo irá incorporar tipos de madeira nativos, nomeadamente “kou” e “Koa” de maneira a se integrar ainda mais na cultura Havaiana, com o tempo conquistando o coração dos seus habitantes.

Com a entrada do novo milénio, o adorado instrumento fez parte de grandes êxitos mundiais, artistas como Israel Kamakawiwo’ole e Jack Shimabukuro, popularizaram o ukelele nas suas músicas que também conquistaram os nossos corações, obras como “Somewhere over the Raimbow” transmitem a harmonia e felicidade, que só um instrumento com origens na pérola do atlântico pode transmitir.

Autoria do texto: Estudante de história na Universidade do Porto, Celso Barros

Compartilhe isso:

  • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
  • Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
Post Anterior

Esta a decorrer até 5 de Abril a 12ª edição da Academia Ibero-Americana do Clarinete

Próximo Post

Anúncio de candidatura | Direção Distrital | Comissão Política Distrital do Porto do Partido CHEGA!

Posts Relacionados

Ciência

Tecnologia de ADN no ar revoluciona monitorização de espécies em risco

Saúde

Médico Realiza Cirurgia Remota com Robô a 5.000 km de Distância

Sociedade

Superdotação, insegurança em palestras e neurociência: um estudo de caso autobiográfico

Sociedade

Preocupação Excessiva em Indivíduos com Alto QI: Uma Abordagem Neurocientífica e Genômica

Ciência

Predisposição a transtornos mentais: um estudo sobre genética e comportamento

Ciência

Aprofundamento Intelectual Influencia o Desenvolvimento e Expressão da Introversão: Um estudo neurocientífico

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dois × cinco =

Outras Notícias!

Chega propõe ampliar Dia da Defesa Nacional para cinco dias e incluir “avaliação militar”

Ventura afirma que consenso na lei laboral depende mais do Governo do que do Chega

André Ventura anuncia que Chega e Governo vão reunir-se para discutir fim do visto prévio

André Ventura anuncia que Chega e Governo vão reunir-se para discutir fim do visto prévio

Ministra do Ambiente defende modelo de gestão partilhada da bacia do Mondego

Ministra do Ambiente defende modelo de gestão partilhada da bacia do Mondego

Conselho Nacional do PSD aprova com uma abstenção diretas a 30 de maio e Congresso a 20 e 21 de junho

Conselho Nacional do PSD aprova com uma abstenção diretas a 30 de maio e Congresso a 20 e 21 de junho

Vice-ministro venezuelano desloca-se a Portugal para reforçar relações bilaterais

Vice-ministro venezuelano desloca-se a Portugal para reforçar relações bilaterais

  • Ciência
  • Cultura
  • Famosos
  • Justiça
  • Politica
  • Sociedade
  • Tecnologia
  • Contacto
  • Estatuto Editorial
Tel +351 939 895 955 - (Chamada para rede móvel nacional)

© 2024 - O Tabloide Portugal. Todos os direitos reservados. Periodicidade Registrada (Semanal) – N.º ERC 127422.

Nenhum Resultado
Ver Resultado
  • Editorias
    • Cultura
      • Artes
      • Famosos
      • Literatura
      • Música
      • Teatro
    • Desporto
    • Economia
    • Educação
    • Ciência
    • Internacional
    • Justiça
    • País
    • Policial
    • Politica
    • Saúde
      • Saúde Pública
    • Sociedade
    • Tecnologia
      • Internet
  • Últimas Noticias
  • Contacto
  • Estatuto Editorial

© 2024 - O Tabloide Portugal. Todos os direitos reservados. Periodicidade Registrada (Semanal) – N.º ERC 127422.