A terra arde com mais força e o fumo viaja cada vez mais longe. Nos primeiros sete meses deste ano, a Europa viu a área consumida pelos incêndios florestais disparar para os 2,2 milhões de hectares — um salto substancial face aos 1,4 milhões registados em 2022. Este aumento de 57% em quatro anos reflete uma realidade de chamas mais frequentes e severas à medida que as alterações climáticas aquecem o planeta.
A Península Ibérica está no centro desta aceleração. Portugal e Espanha registaram uma subida superior a 100% no território ardido em comparação com o mesmo período de 2025. A gravidade da situação levou o governo espanhol a declarar o estado de emergência nacional. Mais a norte, em França, o pânico turístico instalou-se na Península de Cap Ferret, onde cerca de 40 mil veraneantes tiveram de ser retirados de urgência devido a um fogo ativo na bacia de Arcachon.
Hans Henri Kluge, diretor regional da Organização Mundial da Saúde para a Europa, lembra que a destruição vai muito além das habitações ardidas e da pressão imediata nos hospitais. O fumo, carregado de partículas finas que penetram nos pulmões e entram na corrente sanguínea, viaja centenas de quilómetros. Idosos, crianças, grávidas e doentes crónicos são as principais vítimas desta poluição invisível, que compromete o sistema cardiovascular, agrava bronquites e asma, e pode mesmo levar à morte prematura.
Como se proteger do fumo e do calor
Para quem se encontra em zonas afetadas, o isolamento é a primeira linha de defesa. Sempre que for seguro, deve permanecer em casa com as janelas e portas totalmente fechadas. Evite atividades que piorem a qualidade do ar interior, como acender fogões a gás ou a lenha, usar aspiradores, fumar ou fazer fritos. A hidratação constante com água é essencial, devendo evitar-se bebidas alcoólicas e cafeína.
Se a saída à rua for inevitável, o uso de máscaras de proteção respiratória bem ajustadas, como as FFP2 ou N95, é altamente recomendado. Na estrada, a visibilidade reduzida exige que os automobilistas circulem com os faróis acesos mesmo durante o dia. Em paralelo, os governos devem garantir alertas rápidos sobre a qualidade do ar e disponibilizar espaços públicos climatizados com ar limpo para os grupos mais vulneráveis.
Primeiros socorros e apoio médico
Em caso de queimaduras, a rapidez de atuação determina a gravidade das sequelas. Se o fogo atingir o vestuário de alguém, a pessoa deve rolar no chão, ser coberta com uma manta ou apagada com extintores — evite sempre a água directa, que pode gerar vapor e agravar as lesões. Queimaduras ligeiras devem ser arrefecidas sob água corrente fresca entre 20 a 30 minutos. Nas graves, nunca tente remover a roupa colada à pele; cubra a vítima com um pano limpo e seco para evitar a perda de calor corporal, sem aplicar gelo, pastas ou óleos.
A assistência médica deve ser procurada de imediato perante queimaduras graves, dor no peito, falta de ar severa ou irritações persistentes nos olhos e na pele. A saúde mental também merece atenção: pesadelos recorrentes, ansiedade extrema ou irritabilidade após vivenciar estes cenários são sinais claros de que é necessário apoio clínico especializado.
O apoio comunitário é igualmente crucial. Escolas, creches, lares de idosos e hospitais devem estar preparados para acolher quem mais precisa, oferecendo ambientes climatizados e seguros contra o fumo e o calor extremo.











