Damasco, Síria – António Guterres encontra-se em Damasco para uma série de reuniões com autoridades locais e representantes da sociedade civil. A visita marca o primeiro contacto oficial do secretário-geral da ONU com a Síria desde a queda de Bashar al-Assad, um evento que encerrou 14 anos de conflito brutal e abriu, nas palavras do diplomata, um “momento de possibilidades” para a nação árabe.
Num encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Asaad al-Shaibani, Guterres sublinhou que a reconstrução do país não pode ser um esforço solitário. O líder das Nações Unidas defendeu que a autoria do futuro político — incluindo a definição de uma constituição permanente e a realização de eleições livres — pertence exclusivamente ao povo sírio, cabendo à comunidade internacional o papel de garante e parceiro neste processo de transição.
A recente criação de uma Assembleia Popular e de uma Corte Constitucional sinaliza os primeiros passos institucionais após a saída do antigo regime. Contudo, a estabilidade na região enfrenta desafios imediatos nas Colinas de Golã. Guterres classificou como inaceitáveis as recentes violações de soberania perpetradas por Israel naquela zona desmilitarizada, exigindo o fim imediato das movimentações militares que têm perturbado a integridade territorial síria.
A presença da UNDOF, a missão de manutenção de paz das Nações Unidas responsável por monitorizar a aplicação do Acordo de Desengajamento de 1974, torna-se crucial neste período de incerteza. O patrulhamento da fronteira montanhosa permanece sob vigilância apertada, num cenário onde a tensão entre as forças israelitas e o novo contexto político sírio exige uma mediação diplomática rigorosa.
A agenda de Guterres em Damasco é intensa. Além das reuniões de alto nível com o presidente Ahmed al-Sharaa e outros membros do novo governo, o secretário-geral reservou tempo para ouvir grupos de mulheres e representantes da sociedade civil, peças que considera fundamentais para a estabilização do país a longo prazo. Está previsto que o responsável das Nações Unidas discurse perante a Assembleia Popular já na próxima segunda-feira. Após esta passagem pela capital síria, Guterres seguirá viagem rumo a Chipre, encerrando uma missão que pretende reafirmar o compromisso da ONU com a soberania e a independência de uma Síria em reconstrução.











