O secretário-geral e recandidato à liderança do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, afirmou que os socialistas não pretendem provocar eleições legislativas antecipadas nem crises políticas, mas estarão “preparados para todas as responsabilidades”.
A declaração foi feita após a entrega da sua moção global de estratégia ao presidente do partido, Carlos César, no âmbito das diretas e do XXV Congresso Nacional. Carneiro é candidato único à liderança.
Críticas à AD e sintonia com Passos
Carneiro considerou a Aliança Democrática (AD) como “o principal fator de instabilidade”, referindo que declarações de Pedro Passos Coelho levantam dúvidas sobre a capacidade do Governo assegurar estabilidade política.
O líder socialista concordou com críticas do antigo primeiro-ministro quanto à ausência de uma reforma estrutural do Estado e à alegada partidarização da Administração Pública.
Candidatura única vista como sinal de força
Confrontado com o facto de concorrer sem adversários, Carneiro rejeitou que isso represente fragilidade interna. Pelo contrário, considerou que a inexistência de candidaturas alternativas demonstra unidade no partido.
Sublinhou ainda que o processo eleitoral foi precedido de dois meses de preparação e apelou à participação ativa, inclusive de militantes críticos, nas sessões que tem promovido em todo o país.
Prioridades estratégicas
A moção apresentada estabelece como eixos centrais:
- Habitação
- Saúde
- Valorização salarial
- Choque tecnológico na economia
- Nova política fiscal com o objetivo de aproximar os salários médios portugueses da média europeia até 2035
Referência às presidenciais
No documento há também uma leitura política das recentes eleições presidenciais, vencidas por António José Seguro. Carneiro sustenta que a unidade do centro-esquerda foi determinante para superar o centro-direita na primeira volta e derrotar a extrema-direita na segunda, apontando para um cenário de crescente bipolarização do sistema político português.











