O primeiro-ministro afirmou esta quarta-feira que o efeito da última greve geral acabou por “relegitimar a vontade de o país ser mais produtivo”, assegurando que o Governo “aguardará serenamente” a posição das centrais sindicais sobre uma eventual nova paralisação.
O tema foi levantado na fase final do debate quinzenal por Hugo Soares, líder parlamentar do Partido Social Democrata, que disse não compreender os motivos para uma nova greve, sublinhando que poderá ocorrer “na véspera de um feriado a meio da semana”.
Na resposta, Montenegro reiterou que o executivo respeita “o exercício legítimo do direito à greve como forma de contestação”, mas defendeu que, frequentemente, os objetivos de quem convoca as paralisações divergem da perceção da sociedade quanto ao seu impacto.
“Os resultados das greves, nomeadamente da última greve geral, foram largamente, mas muito largamente, excedidos do ponto de vista especulativo pelos partidos que a secundaram”, afirmou.
O chefe do Governo recordou ainda críticas da oposição que apontavam perda de legitimidade do executivo para rever a legislação laboral após a greve de 11 de dezembro, sustentando precisamente o contrário: “Se fosse por isso, tínhamos visto era a relegitimação dessa vontade de sermos um país mais produtivo e competitivo”.
Montenegro reforçou que o Governo não desistirá de promover crescimento económico: “Queremos um país mais rico, que possa ser mais justo e garantir oportunidades para todos, especialmente para quem mais precisa”.
No mesmo sentido, defendeu a revisão da legislação laboral como instrumento para reforçar a competitividade, alertando que “o dinheiro não cai do céu” e que é necessário produzir mais para garantir melhores salários. O primeiro-ministro salientou ainda que Portugal surge entre os países com maior rigidez laboral segundo a OCDE.
Durante o debate, Hugo Soares criticou posições de partidos como o Chega e o Partido Socialista, acusando-os de incoerência e de apresentarem propostas sem sustentabilidade financeira, nomeadamente em matérias como idade da reforma, pensões e IVA sobre bens alimentares.










