O Primeiro-Ministro sublinhou esta quarta-feira a necessidade urgente de Portugal converter o capital intelectual em progresso económico real. Durante a sessão de abertura do 1.º Encontro Ciência e Inovação 2026, Luís Montenegro destacou que o crescimento do país depende diretamente da capacidade de integrar ciência, inovação e conhecimento nas estruturas empresariais para potenciar o desenvolvimento social.
Perante uma audiência composta por mais de dois mil especialistas, académicos e líderes empresariais, o chefe do Governo afirmou que Portugal deve abandonar a aversão ao erro. Segundo o governante, a experimentação é um passo fundamental para o sucesso, sendo necessário que o setor público assuma o risco para servir de exemplo a toda a sociedade portuguesa.
Estratégia integrada de conhecimento
A criação do Ministério da Educação, Ciência e Inovação surge, na perspetiva de Luís Montenegro, como a base para uma estratégia coerente que liga o ciclo educativo ao mercado de trabalho. O propósito é garantir que o talento desenvolvido desde os primeiros anos de formação escolar possa converter-se em empregos qualificados, contribuindo ativamente para a produtividade nacional e para a expansão da economia.
O Executivo pretende fortalecer o Ensino Superior e valorizar os percursos profissionais, apostando numa articulação estreita entre centros de investigação e empresas. O Primeiro-Ministro defendeu que a geração de riqueza é o motor indispensável para sustentar o investimento contínuo em ciência, o que se traduz, em última instância, numa melhoria direta das condições de vida dos cidadãos.
Fiscalidade e eficiência estatal
No domínio da economia, Luís Montenegro realçou que a política fiscal deve funcionar como um estímulo à produtividade e ao investimento. A redução da carga tributária sobre o trabalho e sobre o setor empresarial foi apontada como um mecanismo essencial para a retenção de talento e para a valorização salarial, elementos que considera vitais para a competitividade externa do país.
O Primeiro-Ministro abordou ainda o papel da Administração Pública, descrevendo o investimento nos serviços estatais como um pilar de suporte às empresas e à população. Uma estrutura pública altamente qualificada é, para o Governo, um requisito para elevar os padrões de serviço e responder com eficácia aos desafios da atualidade.
Ambição para o ciclo europeu
O discurso centrou-se também na necessidade de antecipar prioridades para o próximo Quadro Financeiro Plurianual da UE. Áreas como a inteligência artificial, a reindustrialização e o reforço da autonomia estratégica foram identificadas como setores decisivos, onde Portugal deve apresentar projetos de excelência capazes de captar financiamento e gerar valor acrescentado.
Entre as medidas de curto prazo, o Primeiro-Ministro destacou a reforma da Lei da Ciência e Inovação e a implementação da carreira científica. O plano do Governo engloba ainda o reforço da Agência para a Investigação e Inovação (AI²) e a criação de novas instituições, nomeadamente a Universidade de Leiria Oeste e a Universidade Técnica do Porto, com o intuito de expandir a capacidade de formação do país.
O 1.º Encontro Ciência e Inovação 2026, que decorre entre 15 e 16 de julho no Centro de Congressos de Lisboa, marca o início da atividade da AI². Este evento funciona como um ponto de encontro para agentes do sistema tecnológico nacional com o objetivo claro de facilitar a transferência de saber para o tecido económico português.











