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Home Editorias Ciência

Um milhão de formigas canibais presas há anos num bunker nuclear escaparam

Redação O Tablóide por Redação O Tablóide
7 de novembro de 2019
Reading Time: 3 mins read
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Wojciech Czechowski

Uma “colónia” de um milhão de formigas canibais presas há anos num bunker nuclear escaparam, anunciaram cientistas da Polónia.

As formigas, que não tinham outra fonte de alimento além de+os seus companheiros mortos, foram descobertas em 2013. Eram compostas apenas por formigas operárias, o que significa que não se podiam reproduzir. Porém, o seu número continuou a crescer – o que era um mistério.

De acordo com o estudo publicado na semana passada na revista especializada Journal of Hymenoptera Research, os investigadores analisaram a colónia para entender como funcionava e instalaram uma rota de fuga para ver se os seus membros deixariam asua casa se tivessem essa a opção.

A equipa, liderada por Wojciech Czechowski, do Museu e Instituto de Zoologia e da Academia Polaca de Ciências, estava a realizar uma pesquisa com morcegos que moravam num bunker nuclear soviético abandonado quando encontraram as formigas que moravam num antigo bunker onde armas eram mantidas.

De acordo com o Newsweek, as formigas não tinham acesso ao mundo exterior e pareciam ter vindo de um ninho posicionado sobre um cano de ventilação. Quando as formigas caíram no cano, ficaram no bunker.

No entanto, depois de voltar ao local dois anos depois, os cientistas descobriram que a colónia tinha crescido, apesar de não haver fonte de alimento, calor e luz. Uma estimativa da população sugeria que havia centenas de milhares, senão mesmo um milhão de formigas a viver no bunker.

As formigas são conhecidas por construir colónias em lugares incomuns. Já foram encontrados ninhos no chassi de um carro e dentro de uma caixa de madeira em completa escuridão. No entanto, em todos os outros casos, as formigas eram capazes de ir e vir.

“As massas de formigas-operárias presas no bunker não tinham escolha“, escreveu a equipa. “Estavam apenas a sobreviver e a continuar as suas tarefas sociais nas condições estabelecidas pelo ambiente extremo”.

Os cientistas decidiram analisar o seu comportamento. Instalaram um calçadão que levava a outro tubo de ventilação que as formigas podiam usar para escapar. Um ano depois, regressaram e descobriram que a colónia tinha desaparecido quase completamente.

Depois de ter uma rota de fuga, as formigas parecem ter regressado ao ninho original. Ao cair no tubo de ventilação, conseguiram voltar, sendo que o abrigo estava “deserto”.

A equipa inspecionou os cadáveres que foram deixados para trás e encontrou marcas de mordida e buracos, principalmente no abdómen. Segundo os investigadores, isso prova que as formigas estavam a comer os companheiros de ninho para sobreviver.

“A sobrevivência e o crescimento da colónia ao longo dos anos, sem produzir filhos, foi possível devido ao suprimento contínuo de novas formigas do ninho superior e à acumulação de cadáveres de companheiros de ninho”, concluiu a equipa. “Os cadáveres serviram como uma fonte inesgotável de alimento, o que permitiu a sobrevivência das formigas presas em condições extremamente desfavoráveis”.

Os cientistas disseram ainda que este caso mostra que as formigas conseguem manter a auto-organização “mesmo em condições que vão muito além dos limites de sobrevivência da espécie”. auto-organização “mesmo em condições que vão muito além dos limites de sobrevivência da espécie”, acrescentaram.

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