O líder do Chega avisou que não adotará um discurso moderado na sua candidatura porque, parafraseando um versículo bíblico, “aos mornos, Deus vomita”, preferindo manter a sua identidade. O candidato presidencial André Ventura disse esta terça-feira que deseja ser recordado, caso vença, como “herdeiro de Sá Carneiro”, e lançou duras críticas aos adversários Henrique Gouveia e Melo e Luís Marques Mendes.
Durante um encontro-almoço promovido pelo International Club of Portugal, num hotel em Lisboa, Ventura foi questionado por um membro da plateia sobre como gostaria que a sua Presidência fosse lembrada nos livros de História. O candidato respondeu que almeja ficar conhecido como “herdeiro de Francisco Sá Carneiro”, antigo primeiro-ministro e cofundador do PSD.
Ventura admitiu que as ideias do histórico social-democrata divergem das suas e sublinhou que o país da época de Sá Carneiro era outro, sem a atual “pressão migratória” nem o “conjunto de falcatruas” que, segundo ele, se seguiram. Ainda assim, destacou a admiração pela coragem do antigo dirigente em defender convicções, mesmo quando isso implicava confrontar o próprio partido.
“O Sá Carneiro chegou a estar contra o seu próprio partido, por achar que o país ia no caminho errado (…). Daqui a 30 anos dirão que o André Ventura era, na altura, muito calmo e muito moderado. E outros dirão (…) que era o Chega, na altura, quem fazia a mossa e a revolução e a transição e a transformação. É neste sentido que estou a dizer”, explicou.
No discurso, que antecedeu o período de perguntas, Ventura avisou que não assumirá um tom comedido na sua campanha, reiterando a frase bíblica “aos mornos, Deus vomita”, e afirmando a preferência por manter a sua postura pessoal.
Em seguida, passou a atacar os principais rivais na corrida presidencial. Sobre Henrique Gouveia e Melo, disse que os discursos deste “adormecem qualquer pessoa” e censurou a defesa do ex-almirante pela não discriminação entre raças ou etnias. Ventura afirmou que, se o objetivo é dizer que “em Portugal somos todos iguais, sejam imigrantes ou não, tenham sido condenados por corrupção ou não, sejam de Bangladesh ou de Lisboa”, então não haveria necessidade de concorrer a Belém.
O candidato do Chega sustentou que as sondagens indicam a procura por “uma alternativa que abane o país” e manifestou desgaste em relação a “políticos de plástico” que adaptam falas conforme a ocasião. Sobre as declarações de Gouveia e Melo que sugerem equiparação entre imigrantes e portugueses ao fim de dez anos, Ventura afirmou que “ninguém no seu perfeito juízo pode dizer” tal equiparação, ainda que reconheça que a posição agrade a “gregos e troianos”.
Ao dirigir-se a Luís Marques Mendes, Ventura criticou a ausência de propostas económicas inovadoras e apelou à “coragem” para enfrentar o que chamou de “grupo de parasitas” que vive à custa do Estado. Numa metáfora extrema, afirmou: “O que fazemos quando temos parasitas? Eu não sou médico, mas se alguém for médico sabe o que é que temos que fazer com os parasitas: matá-los. Nós temos que acabar com eles. Temos que estrangulá-los.”
Sobre Marques Mendes, Ventura considerou ilógico que alguém opte por votar no antigo presidente do PSD se a intenção é ver o Chega como força governativa. Classificou Marques Mendes como “o pior representante do que o sistema tem” e reiterou que não aceitará que o Chega seja impedido de formar Governo.









