Lisboa, Portugal – O futuro Aeroporto Luís de Camões, uma infraestrutura que visa transformar a conetividade aérea de Portugal, apresenta um custo estimado entre os 7,9 e os 8,9 mil milhões de euros, calculados a preços correntes de 2024. Este valor foi avançado durante a apresentação pública da estratégia de modernização e expansão do sistema aeroportuário nacional, realizada recentemente em Lisboa.
O cronograma estabelecido para a empreitada aponta para o início dos trabalhos de construção no decurso de 2029, com o término da obra previsto para 2033. Após a necessária fase de testes operacionais e processos de certificação internacional, a infraestrutura deverá entrar em funcionamento pleno a partir de 2035. O projeto prevê uma capacidade inicial para 56 milhões de passageiros anuais, com margem de progressão para atingir os 85 milhões.
Acessos ferroviários e rodoviários
A ligação do novo aeroporto ao centro de Lisboa será assegurada por uma linha de comboio dedicada, reduzindo o tempo de percurso para cerca de 20 minutos. Esta conexão será viabilizada através da Terceira Travessia do Tejo, uma ponte rodo-ferroviária projetada para ligar Chelas ao Lavradio. A nova estação aeroportuária, que entrará em serviço em 2034, disporá de quatro linhas e três plataformas, facilitando o interface com comboios de longo curso e transportando, segundo as projeções, cerca de 20 milhões de passageiros anualmente.
Ao nível da rede viária, o plano prevê a construção de 250 quilómetros de vias novas e a requalificação de outros 50 quilómetros existentes. Espera-se que este conjunto responda a um fluxo diário de 65 mil veículos ligeiros e dois mil pesados. As intervenções incluem ligações estratégicas às estradas nacionais 4, 10 e 119, bem como a conexão da A33 à A12 e à A13. O traçado do IC13 entre o aeroporto, Ponte de Sor e Alter do Chão, além da duplicação da EN118 e beneficiação da EN119, reforçará a integração regional entre as duas margens do rio Tejo.
Calendário e financiamento
A entrega deste relatório técnico viabiliza o avanço para a fase de estudos prévios e definição do desenho arquitetónico. A ANA – Aeroportos de Portugal tem agendada a entrega do Estudo de Impacto Ambiental à Agência Portuguesa do Ambiente até ao final de julho. O roteiro administrativo prevê ainda a apresentação do relatório financeiro para janeiro de 2027 e a finalização da candidatura global ao projeto no início de 2028.
Para assegurar o financiamento, a entidade gestora propõe a emissão de dívida num montante próximo dos 7 mil milhões de euros. Como estratégia de suporte orçamental, é sugerido um aumento progressivo das taxas aeroportuárias aplicadas no Aeroporto Humberto Delgado, com execução prevista entre 2026 e 2030, garantindo assim a viabilidade económica da nova infraestrutura que o Governo classifica como um passo decisivo para o país.











