Lisboa, Portugal – O processo de reprivatização da TAP atingiu um ponto de viragem. A Parpública confirmou a receção de duas propostas vinculativas — provenientes da Air France-KLM e da Deutsche Lufthansa AG — que definem o futuro de uma fatia de 44,9% do capital da companhia aérea portuguesa. Este movimento surge após a retirada do International Airlines Group (IAG), que optou por focar os seus recursos noutras operações que permitissem o controlo total das participações.
O caderno de encargos, aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 141-B/2025, traça um caminho rigoroso. Além da venda de 44,9%, o modelo reserva 5% do capital para os trabalhadores, sendo que o investidor selecionado terá direito de preferência sobre qualquer parcela que não seja subscrita nesta reserva interna. O desfecho desta operação está agora dependente da análise aos planos financeiros e estratégicos submetidos pelos dois gigantes europeus.
Nos próximos 30 dias, a Parpública deverá apresentar ao Governo o relatório final de avaliação. Este prazo poderá sofrer suspensões caso surja a necessidade de esclarecimentos adicionais junto dos proponentes. O Governo prevê selecionar o vencedor até setembro, abrindo a porta a uma possível cogestão da transportadora já em 2026, embora a entrada efetiva no capital esteja projetada apenas para o verão de 2027, dependendo da aprovação final das autoridades de concorrência da União Europeia.
As estratégias apresentadas revelam abordagens distintas. A Air France-KLM, que conta com os Estados francês e neerlandês no seu corpo acionista, aposta na integração da TAP na sua rede multi-hub, com foco no reforço das operações a partir de Lisboa e maior conectividade no Porto. Já a Lufthansa, que procura influência na gestão executiva apesar da natureza minoritária da posição, sublinha a importância da expansão do hub de Lisboa e da consolidação da presença no mercado brasileiro. A forte presença da unidade da Lufthansa Technik em Santa Maria da Feira, um projeto de centenas de milhões de euros, serve também como cartão de visita do grupo alemão.
O executivo mantém o controlo sobre o processo, podendo interrompê-lo a qualquer momento, sem lugar a indemnizações, caso entenda que as ofertas não salvaguardam os pilares exigidos: a manutenção da sede em Portugal, a preservação do hub de Lisboa e a salvaguarda da marca e das rotas estratégicas. É uma corrida contra o tempo onde a viabilidade financeira se cruza com a soberania de uma das marcas mais emblemáticas do país.











