O presidente do Chega, André Ventura, afirmou nesta segunda-feira (4) que discorda de alguns pontos do anteprojeto do Governo para a reforma da legislação laboral e vai propor ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, a criação de uma delegação conjunta entre Chega e PSD para analisar o tema de forma ponderada a partir de setembro.
Durante uma visita a Évora, Ventura foi categórico ao rejeitar medidas que, segundo ele, atacam direitos ligados à maternidade, como a amamentação prolongada e o luto gestacional:
“O Chega não vai aceitar que se acabe ou que se limite o luto gestacional. Isso não faz nenhum sentido. (…) Não se ataca ainda mais as mães e as famílias.”
O líder do Chega também criticou declarações da ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, que sugeriu haver fraudes na utilização do direito à amamentação no trabalho. Ventura considera infundadas as alegações da ministra e acusou o Governo de atacar as mães sem base económica ou razoabilidade social:
“Diz que há fraude e, portanto, como há fraude, vamos acabar com o direito prolongado à amamentação. O Chega não vai contribuir para isso.”
Delegação conjunta entre Chega e PSD
Ventura explicou que, embora reconheça a necessidade de modernizar a legislação laboral, isso não deve implicar retrocessos em direitos familiares. Por isso, defenderá junto ao Governo a criação de uma delegação técnica entre Chega e PSD para trabalhar conjuntamente nas propostas de reforma e viabilizar consensos:
“Não queremos ser uma força de bloqueio, mas também não vamos permitir um ataque às mães. (…) Espero que o Governo faça marcha atrás nesta matéria.”
Questionado sobre a possibilidade do PS integrar essa delegação, Ventura descartou:
“O PS não quer mudar nada. Está fora de questão.”










