Oito associações da comunidade cigana anunciaram que vão apresentar uma queixa no Ministério Público (MP) contra os cartazes de campanha presidencial de André Ventura, candidato do Chega, que contêm mensagens dirigidas a grupos específicos, incluindo uma com a frase “Os ciganos têm de cumprir a lei”.
De acordo com Bruno Gonçalves, vice-presidente da associação Letras Nómadas, as organizações estão a reunir provas e a ponderar avançar com uma providência cautelar para exigir a retirada imediata dos cartazes e impedir que novas peças publicitárias semelhantes sejam afixadas em espaço público.
Gonçalves destacou que o caso foi identificado na Moita, após o alerta de um morador da comunidade cigana, e considerou a iniciativa como “um ato premeditado”, lembrando que Ventura já havia declarado, no lançamento da sua candidatura, que pretendia “atacar os ciganos com cartazes”.
“As declarações e os cartazes demonstram um ataque voluntário e uma promoção do ódio racial”, afirmou o dirigente, acrescentando que o constitucionalista Vitalino Canas reconheceu possíveis indícios de crime.
As associações também vão anexar novas provas à queixa apresentada em abril contra o partido Chega, relativa a vídeos divulgados nas redes sociais com mensagens de incitamento ao ódio.
Bruno Gonçalves lamentou a ausência de resposta do MP à denúncia anterior e afirmou que a lentidão da Justiça é preocupante, especialmente diante da gravidade do discurso de ódio. “Há cerca de 30 queixas individuais de cidadãos ciganos sem qualquer resposta”, destacou.
O dirigente alertou ainda para o impacto social desse tipo de retórica, relatando casos de bullying em escolas contra crianças ciganas, que passaram a ouvir frases como “morte aos ciganos” e “viva o Chega”.
Segundo Gonçalves, as associações estão determinadas a levar o caso adiante:
“Vamos avançar com todas as forças que nós temos. O que está em causa não é apenas a nossa comunidade, mas o respeito pelos direitos humanos e pela convivência democrática em Portugal.”











