A subida do nível das águas oceânicas deixou de ser uma previsão futura para se transformar numa emergência diária em Cabo Verde. Na Semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU, onde copresidiu à Cimeira de Líderes sobre esta ameaça, o país insular aprovou uma declaração política e alertou para a destruição de praias históricas e a salinização de ribeiras agrícolas que antes sustentavam famílias inteiras.
A escassez hídrica ilustra a dimensão da crise no arquipélago, onde o stresse hídrico disparou de 7% em 2001 para 60% em 2023. Actualmente, cerca de 90% da água potável consumida provém da dessalinização marinha. Por ser um processo energeticamente dispendioso, o primeiro-ministro e ministro das Finanças, Francisco Carvalho, pretende integrar fontes eólicas e solares para reduzir os custos aos consumidores, a par da construção de barragens, abertura de furos e cisternas domésticas.
Para o governante, porém, as declarações políticas precisam de respaldo financeiro concreto. Enquanto os países em desenvolvimento menos poluidores sofrem o maior impacto, o fundo internacional criado para perdas e danos recebeu apenas 820 milhões de dólares dos 2,8 mil milhões solicitados, tendo sido aplicados apenas 456 milhões até ao momento. Perante este défice, Carvalho sublinhou a eficácia da cooperação bilateral, apontando o acordo com Portugal para converter dívida externa em investimento ambiental como um modelo a replicar com outros parceiros.
O líder cabo-verdiano defendeu igualmente a projecção da língua portuguesa nos órgãos internacionais e o reforço da ligação à diáspora. Nesse sentido, o Governo aboliu as taxas de entrada para descendentes de emigrantes e planeia integrar investigadores cabo-verdianos no exterior na formulação de políticas públicas nacionais.











