A vulnerabilidade geográfica de uma pequena nação insular traduz-se em impactos concretos na orla costeira, nas infraestruturas e na subsistência da população. Este foi o alerta deixado no sábado pela ministra dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades de São Tomé e Príncipe, Ilza Maria dos Santos, durante o seu discurso na Assembleia Geral da ONU. A governante classificou a situação como uma profunda injustiça climática, lembrando que a contribuição do país para as emissões globais é insignificante.
Para contrariar este cenário, a representante defendeu a aplicação prática do Índice de Vulnerabilidade Multidimensional na alocação de verbas. O país exige a operacionalização do Fundo de Perdas e Danos e um acesso desburocratizado ao Fundo Verde para o Clima, instrumentos tidos como indispensáveis para cumprir o Acordo de Paris, a contribuição nacionalmente determinada e o Plano Nacional da Adaptação Climática.
A dependência da importação de combustíveis e os custos elevados da eletricidade impulsionam a necessidade de parcerias externas. Através do Programa de Transição Energética e do Pacto Nacional de Energia, São Tomé e Príncipe procura construir um modelo mais limpo e seguro. Paralelamente, o reconhecimento de todo o território nacional como Reserva Mundial da Biosfera pela Unesco surge como trunfo para alavancar a pesca sustentável, a economia azul e o turismo de natureza, combatendo também a pesca ilegal e a criminalidade transnacional na região.
No plano económico interno, o executivo pretende reter no país maior valor acrescentado da produção agrícola de cacau e café, reduzindo a dependência externa e garantindo melhores condições de mercado aos agricultores. Ilza Maria dos Santos sublinhou que a criação de oportunidades de estudo e trabalho para os jovens — a par do envolvimento estratégico da diáspora — é o único caminho para assegurar o futuro da nação.
Ao abordar o cenário global, a ministra manifestou apreensão face às guerras na Ucrânia, Sudão, Sahel, Grandes Lagos, Chifre da África e Médio Oriente. Reafirmando o compromisso com a Carta das Nações Unidas e a estabilidade no Golfo da Guiné, o país posiciona-se como um ator empenhado no diálogo e no multilateralismo.










