Ceuta, Espanha – O delegado do Governo na cidade autónoma de Ceuta, Miguel Ángel Pérez Triano, garantiu que a entrada em massa de mais de 70 mil pessoas no enclave, ocorrida a 30 de julho, não foi precedida por qualquer aviso formal. Em conferência de imprensa, o responsável minimizou a relevância dos documentos agora desclassificados pelo executivo espanhol, descrevendo as comunicações trocadas entre o Centro Nacional de Inteligência (CNI) e o seu gabinete como meras trocas informais por WhatsApp.
Para Pérez Triano, a troca de mensagens enviada a 29 de julho não constitui um relatório ou um alerta de segurança institucional. O delegado reforçou que, quando o CNI emite um aviso oficial, este segue um protocolo rígido de entrega em envelope lacrado aos ministérios da Defesa ou da Administração Interna, o que não aconteceu neste caso específico.
As mensagens em causa, datadas de 29 de julho, apontavam para a existência de convocatórias em grupos de redes sociais com cerca de 180 mil seguidores, que apelavam a um assalto à vedação fronteiriça de Ceuta. Contudo, fontes do CNI sublinharam que, embora tivessem conhecimento de uma campanha digital, os serviços de informações foram incapazes de antecipar a natureza invulgar e a dimensão sem precedentes daquela crise migratória. O Governo de Pedro Sánchez mantém a mesma posição: a informação disponível nas horas que antecederam o dia 30 de julho era insuficiente para dimensionar a resposta necessária perante o volume de pessoas que atravessaram a fronteira, fosse a nado ou saltando o muro.
A divulgação destes documentos surgiu na sequência de uma promessa do primeiro-ministro durante um debate parlamentar, onde negou veementemente qualquer envolvimento marroquino na organização da entrada ilegal ou a existência de provas que sugerissem um aviso prévio com a magnitude que o evento acabou por assumir. Enquanto a oposição exige a demissão e o julgamento do executivo por uma suposta mentira de Estado, as autoridades espanholas insistem que não houve falha de inteligência, mas sim um fenómeno de massas que superou a capacidade de previsão dos mecanismos de vigilância vigentes na época.









