Catia la Mar, Venezuela – Numa zona onde a presença lusa é tão vincada quanto o próprio traçado da cidade, o Centro Luso Venezuelano, em Catia la Mar, La Guaira, foi o local escolhido para acolher a base de operações da equipa de resgate portuguesa. A escolha não é aleatória; trata-se de um ponto estratégico na região de La Guaira, um dos locais mais castigados pela sucessão de terramotos que, desde quarta-feira, mergulhou o país num cenário de destruição.
É a partir desta infraestrutura que a Força Operacional Conjunta (FOCON) irá coordenar todos os esforços de logística e suporte. A decisão foi comunicada formalmente este sábado, 27 de junho, e visa concentrar a capacidade de resposta no coração da comunidade de emigrantes e lusodescendentes. Ao final da tarde de sábado, pelas 16:00 locais — 21:00 em Lisboa — os responsáveis pelas equipas reuniram-se na capital, Caracas. O objetivo era claro: delinear o mapa de intervenção e distribuir os setores de busca por cada unidade especializada presente no terreno.
O contingente luso, composto por 64 operacionais, chegou ao Aeroporto Internacional de Maiquetía Simón Bolívar através de dois voos da Força Aérea Portuguesa. O primeiro aparelho aterrou pelas 08:15 locais, seguido por um segundo avião às 09:50. A partida de Beja, na noite de sexta-feira, marcou o início desta operação que integra elementos da Unidade Especial de Proteção e Socorro da GNR, técnicos da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, operacionais dos Sapadores Bombeiros de Lisboa e profissionais do INEM.
A bagagem desta força não é apenas humana. Transportaram consigo cerca de 23 toneladas de mantimentos e material técnico. Entre geradores, tendas de campanha, medicamentos e equipamento médico, levam também material de busca e salvamento, essencial para as tarefas de recuperação de vítimas sob os escombros. A gravidade da situação reflete-se nos números: o balanço oficial aponta já para 1.430 vítimas mortais e mais de 3.300 feridos. Entre os que perderam a vida, contam-se pelo menos 41 portugueses ou lusodescendentes, havendo ainda 87 pessoas cujo paradeiro permanece incerto.
O cenário que as equipas portuguesas encontraram é desolador. O duplo sismo, com magnitudes de 7,2 e 7,5 na escala de Richter, atingiu o país com um intervalo inferior a um minuto, desencadeando mais de 20 réplicas que continuam a testar a estabilidade das estruturas remanescentes. Em Caracas e em La Guaira, dezenas de edifícios colapsaram ou sofreram danos que os tornam armadilhas perigosas. A escala da catástrofe é vasta, com a ONU a estimar que existam mais de 50 mil pessoas desaparecidas. Portugal junta-se, assim, a uma vaga de solidariedade internacional, coordenando esforços com outros Estados da União Europeia para tentar mitigar o impacto desta tragédia sem precedentes na região.











