Kiev, Ucrânia – A região de Kiev foi alvo de uma ofensiva russa de grande envergadura durante a madrugada de 4 para 5 de agosto. O balanço oficial aponta para pelo menos 17 civis mortos e 55 feridos, um cenário que a Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU (HRMMU) identifica como parte de um padrão crescente de violência verificado nos últimos meses.
Danielle Bell, que lidera a missão, observa que o verão tem sido marcado por bombardeamentos contínuos contra a capital ucraniana. A estratégia de recorrer a armas de longo alcance em zonas densamente povoadas está a revelar-se devastadora, causando danos sucessivos em infraestruturas vitais, habitações e espaços comerciais.
Os números refletem o agravamento da situação no terreno. No primeiro semestre de 2026, contabilizaram-se 1.396 mortos e 7.978 feridos entre a população civil ucraniana. Este registo representa um crescimento de 37% em comparação com o período homólogo de 2025 e uma subida drástica de 114% face a 2024. O uso de mísseis balísticos e drones armados desempenha aqui um papel central, tendo provocado uma subida de 60% nas baixas civis durante os primeiros seis meses deste ano.
A pressão sobre os centros urbanos estende-se a outras áreas. Matthias Schmale, coordenador humanitário para a Ucrânia, reportou danos severos em sistemas de abastecimento de água e armazéns de ajuda em cidades como Kramatorsk, Kherson e Zaporizhzhia. O responsável recorda que as forças beligerantes têm o dever estrito de cumprir o direito internacional humanitário, priorizando a salvaguarda de infraestruturas civis.
A situação das crianças é particularmente alarmante. O UNICEF documentou mortes de menores em ambos os lados do conflito. Entre os casos recentes, destaca-se o impacto de um drone junto a um parque infantil em Belgorod, na Rússia, que vitimou uma menina de 13 anos, além de três crianças na região de Krasnodar. Na Ucrânia, o cenário é igualmente crítico: Dnipropetrovsk e Sumy registaram a morte de seis crianças e ferimentos em pelo menos 19, tudo no espaço de uma semana. Face a estes dados, a agência das Nações Unidas reitera o apelo urgente para que a segurança dos menores seja garantida, independentemente do local onde se encontrem.











