Lisboa, Portugal – As alergias assumem o topo da lista das doenças mais frequentes entre a população infantil em Portugal. Segundo dados recentes revelados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), esta condição atinge 14,9% das crianças com menos de 15 anos. O cenário clínico desta faixa etária inclui ainda, com menor prevalência, as perturbações de défice de atenção ou hiperatividade, que afetam 6,8% dos menores, seguidas pelos problemas de fala e comunicação, com uma incidência de 5,9%.
Apesar da prevalência destas patologias, o panorama geral da saúde infantil é, na maioria dos casos, classificado como positivo. Cerca de 92,3% dos responsáveis parentais descrevem o estado de saúde dos seus educandos como bom ou muito bom. Ainda assim, a rotina quotidiana não é imune a interrupções: 44,7% das crianças entre os seis e os 14 anos registaram faltas à escola por motivos de saúde ao longo do último ano.
O impacto destas condições na vida ativa dos mais novos é tangível. Praticamente duas em cada dez crianças, o que equivale a 18,9% da amostra, viram a sua capacidade de realizar tarefas habituais para a respetiva idade comprometida por problemas físicos ou de saúde. O levantamento estatístico detalhou ainda limitações sensoriais específicas: em Portugal, existem 58 mil crianças cegas e 13 mil com perda auditiva diagnosticada.
Esta análise integra pela primeira vez o Inquérito Nacional de Saúde, focando-se num módulo dedicado exclusivamente às crianças. A recolha de dados, realizada durante o último trimestre de 2025, baseou-se em informações prestadas diretamente pelos pais ou tutores legais. A amostra, considerada representativa da realidade nacional, abrangeu 3.907 crianças residentes no país. Os procedimentos incluíram entrevistas presenciais, contactos telefónicos e inquéritos realizados via Internet, entre os meses de setembro e dezembro, oferecendo um retrato detalhado sobre o bem-estar dos mais novos no atual contexto nacional.











