Algarve, Portugal – O passado dia 19 de julho marcou o fim da dependência do gasóleo na ferrovia algarvia. Com a conclusão integral do projeto de eletrificação, a Linha do Algarve opera agora exclusivamente com comboios elétricos, uma mudança que altera a logística de quem atravessa a região de comboio. A alteração mais visível para os passageiros é a eliminação da obrigatória troca de automotora na estação de Faro, permitindo agora percursos diretos entre Lagos e Vila Real de Santo António.
Este ganho de eficiência no serviço regional reflete-se num aumento de 18% na oferta global, com especial incidência nas janelas horárias de maior afluência. Em termos de capacidade, o salto é significativo: as novas unidades elétricas dispõem de 536 lugares, entre sentados e em pé, superando os 388 lugares oferecidos pelo material circulante anterior. Além da lotação, as composições trazem consigo melhores padrões de acessibilidade para os utentes.
O projeto, conduzido pela Infraestruturas de Portugal, implicou um investimento de 135 milhões de euros. O objetivo traçado passa por potenciar a mobilidade pendular e fortalecer a economia regional, sendo o turismo um dos setores que mais poderá beneficiar da melhor articulação entre os centros urbanos e a rede de longo curso.
A reorganização estratégica estende-se para lá do sul do país. A CP – Comboios de Portugal iniciou a transferência das automotoras a diesel, anteriormente usadas no Algarve, para as Linhas do Oeste e do Alentejo. Esta redistribuição de recursos visa reforçar a oferta ferroviária nessas regiões, colmatando carências operacionais existentes.
Para além da logística, a aposta na tração elétrica alinha o sistema ferroviário português com as metas europeias de descarbonização, reduzindo a pegada carbónica do transporte público. Segundo Miguel Pinto Luz, Ministro das Infraestruturas e Habitação, este investimento é um pilar estratégico que funde o crescimento económico com a coesão do território e a preservação ambiental.











