O ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, surgiu esta terça-feira perante a comunicação social com uma promessa clara: as falhas técnicas que marcaram a avaliação digital dos exames nacionais não deixarão nenhum aluno para trás. O governante, ao reconhecer os problemas que ensombraram o processo, endereçou um pedido de desculpa público às famílias, aos docentes e às estruturas escolares, reconhecendo o desgaste provocado por um período de calendário letivo já de si intenso.
O foco da tutela, segundo o ministro, está agora em assegurar a estabilidade do processo de candidatura ao ensino superior. As anomalias detetadas nas classificações, que derivaram de uma falha na exportação de dados pelo Júri Nacional de Exames (JNE) durante o envio da primeira remessa de resultados, já foram alvo de intervenção. Segundo Fernando Alexandre, o problema técnico, resolvido ainda na noite de sexta-feira, foi sanado através de uma articulação direta com os estabelecimentos de ensino, estabilizando as classificações que tinham ficado pendentes.
Ajustes nas classificações após revisão eletrónica
Apesar dos constrangimentos, o ministro defendeu a aposta na digitalização como um salto necessário para o sistema educativo. Na ótica do governante, o novo modelo permite um rigor e uma transparência anteriormente inalcançáveis, sendo a rapidez na correção de erros a prova dessa mais-valia. Foi o caso do exame de Física e Química A, versão 2, onde uma falha na parametrização da matriz de classificação foi identificada através do acesso às provas digitais. O processo de revisão resultou numa subida de nota para 11 496 alunos, ilustrando, segundo o ministro, a eficácia do sistema em corrigir injustiças de forma sistemática.
Apesar da contestação, o calendário do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior permanece inalterado. O período de candidaturas para a primeira fase estende-se, conforme planeado, entre o dia 20 de julho e o dia 6 de agosto. O Ministério da Educação sustenta que o regulamento em vigor já acautela estas situações, permitindo que os estudantes alterem ou atualizem as suas candidaturas caso a sua nota final seja objeto de alteração por via de reclamações ou processos de reapreciação.
Novas medidas para a segunda fase
Quanto à segunda fase dos exames, que arranca na próxima terça-feira, o modelo de classificação eletrónica mantém-se em vigor, ainda que com ajustes operacionais decorrentes das lições retiradas da primeira fase. Para aqueles que se viram condicionados pelas falhas técnicas e que, por isso, não conseguiram reunir a informação necessária para decidir sobre a sua participação na segunda fase, o governo anunciou a criação de uma época especial de exames para o início de setembro. Esta data será contabilizada, para efeitos académicos, como uma segunda fase de provas.
O capítulo das avaliações digitais não terminará, contudo, sem um escrutínio externo. Fernando Alexandre confirmou a realização de uma auditoria completa ao processo, com o objetivo declarado de identificar a origem das falhas técnicas e preparar o terreno para o próximo ano letivo. O compromisso da tutela passa pela modernização do sistema, insistindo que o modelo digital, uma vez corrigidas as fragilidades iniciais, trará benefícios estruturais a longo prazo para toda a comunidade escolar.











