Lisboa, Portugal – O mercado de trabalho português registou um desempenho positivo no último ano, com o volume de remunerações a subir acima do índice de preços no consumidor. A Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Rosário Palma Ramalho, revelou em Lisboa, esta terça-feira, as conclusões do documento oficial que detalha a evolução do emprego e da formação ao longo de 2025.
Os números refletem uma melhoria clara nas condições financeiras das famílias. Com uma valorização nominal das remunerações de 4,8% e uma inflação situada nos 2,2%, o poder de compra médio dos trabalhadores portugueses registou uma trajetória de recuperação. Atualmente, o peso total dos salários e encargos sociais no PIB nacional ascende a 48,1%, um valor que coloca Portugal ao mesmo nível de referência exigido pela UE.
O desafio da produtividade
Apesar do balanço favorável na criação de emprego e na melhoria salarial, o documento sublinha um ponto crítico para a economia: a estagnação da produtividade. O rendimento gerado por cada posto de trabalho, ou por cada hora dedicada às funções profissionais, não acompanhou a dinâmica observada nos ganhos nominais. Esta falta de progresso na eficiência produtiva é vista como o principal obstáculo para que Portugal consiga convergir de forma célere com os padrões económicos europeus.
Nem todos os indicadores de eficiência seguem o mesmo caminho. A produtividade total dos fatores, que agrega indicadores ligados à inovação tecnológica, aos processos de organização empresarial e à eficiência global, apresenta sinais de otimismo. Este setor mantém um percurso de melhoria consistente, retomando o ritmo que tinha sido interrompido pelo período pandémico.
Aumento da população ativa
A força de trabalho portuguesa expandiu-se, atingindo os 5,61 milhões de cidadãos ativos, o que representa um crescimento de 2,7%. A taxa de atividade para indivíduos com mais de 16 anos subiu para os 61%. No que respeita ao emprego, o país conta hoje com 5,275 milhões de pessoas empregadas, traduzindo-se num incremento de 3,2% em comparação com o período anterior, com a taxa de emprego a fixar-se nos 57,3%.
Um dos dados mais expressivos é a crescente integração de faixas etárias mais elevadas na economia. A participação de trabalhadores com mais de 55 anos registou uma subida notável, sugerindo que a vida profissional está a prolongar-se. Entre os 55 e os 64 anos, a população ativa cresceu 3,3%, enquanto no grupo com 65 ou mais anos o aumento foi de 6,4%. Esta tendência de envelhecimento ativo reflete uma mudança estrutural na composição da mão de obra portuguesa.











