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Home Editorias Ciência

Há 500 milhões de anos, as trilobites morreram em fila indiana (e agora sabemos porquê)

Redação O Tablóide Por Redação O Tablóide
2 de novembro de 2019
Reading Time: 3 mins read
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(dr) Jean Vannier

Há 480 milhões de anos, no período Ordoviciano baixo, muitas trilobites morreram no fundo do mar em fila indiana. Agora, uma equipa de cientistas da Universidade de Lyon, em França, desvendou o mistério.

Em linhas estranhamente ordenadas, com os seus longos espinhos a tocarem uns nos outros como se estivessem em fila indiana ou a caminhar meticulosamente: foi assim que morreram várias trilobites no fundo do mar, há 480 milhões de anos.

O porquê de estes animais terem morrido em fila indiana permaneceu um mistério durante muito tempo. Agora, uma recente investigação sugere uma resposta.

A maneira como os artrópodes morreram, enterrados por sedimentos, sugere a presença de tempestades na altura, ou seja, o comportamento migratório coletivo foi desencadeado por distúrbios no ambiente.

Atualmente, muitos animais exibem comportamentos coletivos e sociais. Mas como e porque é que o comportamento coletivo evoluiu ainda permanece bastante sombrio, uma vez que exemplos deste tipo no registo fóssil são relativamente escassos.

Há cerca de 10 anos, uma equipa de paleontologistas encontrou uma espécie de artrópode anteriormente desconhecida do Baixo Cambriano (541 a 485 milhões de anos atrás) numa linha peculiar quase perfeita.

Vannier et al. / Scientific Reports, 2019

Até agora, os cientistas estavam convencidos de que esta linha era indicativa de comportamento coletivo, ou migratório ou relacionado com a reprodução. No entanto, análises até ao momento deixaram de fora informações muito importantes, como pesquisas do ambiente sedimentar em que foram enterradas.

Recentemente, o geólogo Jean Vannier, da Universidade de Lyon, e uma equipa internacional de cientistas descreveram as várias filas destas trilobites, chamadas Ampyx priscus, encontradas no Tremadocian Fezouata Shale Lagerstätte, perto de Marrocos.

“Mostramos que estes alinhamentos de trilobites não resultam de transporte e acumulação passivos por correntes, mas sim de um comportamento coletivo“, escreveram os cientistas, no artigo científico publicado na Scientific Reports. “O Ampyx priscus estava, provavelmente, a migrar em grupo e usou os seus longos espinhos projetados para manter uma formação de fileira única por contactos físicos possivelmente associados a mecanorreceptores e/ou comunicação química“.

Segundo o Science Alert, esta análise constatou que os sedimentos em que as trilobites foram enterradas são consistentes com os sedimentos agitados e depositados por ondas provocadas por tempestades – em quantidades suficientes para enterrar linhas de trilobites, mas não fortes o suficiente para carregá-las.

Assim, sepultadas numa camada do fundo do mar, as trilobites morreram como estavam, envenenadas com sulfureto de hidrogénio, agitado pela tempestade, ou sufocadas.

Esta investigação torna claro o facto de haver fortes indícios de que o comportamento coletivo já prosperava há quase meio milhão de anos.

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