Chefe do Governo garante que o Executivo está a mobilizar todos os mecanismos para responder aos estragos. O primeiro-ministro estimou esta sexta-feira que os danos provocados pelo mau tempo já excedem os 4 mil milhões de euros, assegurando que o Governo irá recorrer a “todos os mecanismos financeiros” disponíveis.
Luís Montenegro deslocou-se esta sexta-feira, sem aviso prévio aos meios de comunicação social, ao pavilhão municipal de Santarém que acolhe pessoas retiradas das suas habitações. No local, onde se encontravam alguns jornalistas, aproveitou para fazer um balanço sobre o recurso aos apoios já colocados à disposição pelo Executivo.
“Relativamente à recuperação de habitações, temos já esta sexta-feira cerca de 450 cidadãos que recorreram à plataforma para aceder ao apoio disponível. No caso dos produtores agrícolas, já são mais de 1.200. Quanto às empresas, também cerca de 1.200. Estamos a falar de uma disponibilidade financeira que já ultrapassa os 350, 400 milhões de euros, no conjunto de todas estas ajudas”, sublinhou, em declarações transmitidas por alguns canais televisivos presentes no local.
O primeiro-ministro foi ainda questionado sobre a eventual utilização de fundos comunitários para financiar estes apoios.
“Nós estamos a utilizar todos os mecanismos e utilizaremos todos os instrumentos financeiros para fazer face a um nível de danos que estimamos, neste momento, já ter ultrapassado os quatro mil milhões de euros”, afirmou.
Entre esses meios, Montenegro incluiu “recursos privados, como as seguradoras, e recursos públicos”.
“Teremos de assegurar capacidade de financiamento: contamos com o Orçamento do Estado, com uma reprogramação dos fundos disponíveis, incluindo o PRR, e teremos ainda outros fundos aos quais estamos a candidatar-nos e com cujos organismos mantemos contacto permanente”, afirmou, sem adiantar pormenores.
O chefe do Governo acrescentou ainda que já se encontram no terreno seis das 12 viaturas móveis anunciadas no Conselho de Ministros de quinta-feira, bem como 275 Espaços de Cidadão já “abertos e disponíveis para receber as pessoas e apoiá-las no preenchimento dos formulários online, permitindo acelerar este processo”.
“Quero também aproveitar o vosso trabalho e a vossa colaboração para fazer chegar esta informação àqueles que já têm condições para acompanhar a televisão. Por esta via, ou através de outras plataformas digitais e da rádio, podem saber que se podem dirigir aos Espaços do Cidadão ou às Juntas de Freguesia”, salientou.
Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram igualmente várias centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de habitações, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de infraestruturas, o encerramento de estradas, escolas e serviços de transporte, bem como os cortes de energia, água e comunicações, constituem as principais consequências materiais do temporal.
As regiões do Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais atingidas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até ao dia 15 para 68 concelhos, que beneficiarão de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 1 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido alargada até ao dia 8 para 68 concelhos, sendo novamente prolongada até 15 de fevereiro.







