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Home Editorias Ciência

O ataque de uma “lula” ficou parado no tempo durante 200 milhões de anos

Redação O Tablóide por Redação O Tablóide
11 de maio de 2020
Reading Time: 3 mins read
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Malcolm Hart

Uma cena dramática de um predator a atacar as suas presas ficou capturada e preservada durante 200 milhões de anos, lançando agora luz sobre as criaturas que percorreram o nosso planeta e nadaram nas profundezas dos oceanos.

Uma nova análise de dois espécimes fossilizados descobertos na Costa Jurássica do sul da Inglaterra no século XIX parece ser o exemplo mais antigo conhecido de um predador semelhante a uma lula a atacar as suas presas.

A Costa Jurássica, que é Património Mundial da UNESCO desde 2001, é conhecida pela abundância de fósseis que remontam aos Períodos Triássico, Jurássico e Cretáceo, três períodos geológicos que compõem a Era Mesozóica entre 65 e 250 milhões de anos. A geologia única desse litoral oferece um “registo completo” das profundas mudanças que ocorreram no nosso planeta ao longo de milhões de anos.

Uma equipa de investigadores da Universidade de Plymouth, em conjunto com a Universidade de Kansas e a empresa The Forge Fossils, analisaram o espécime, atualmente alojado nas coleções do British Geological Survey.

Segundo a investigação apresentada esta semana na reunião virtual Sharing Geoscience Online da União Europeia de Geociências, a criatura semelhante à lula, agora identificada como Clarkeiteuthis montefiorei, foi preservada com um pequeno peixe semelhante ao arenque conhecido como Dorsetichthys, que ficou preso nas suas mandíbulas.

Os invetsigadores estimam que a dupla remonte ao período Sinemuriano – entre 190 e 199 milhões de anos atrás -, anterior a amostras semelhantes em mais de 10 milhões de anos.

“Desde o século XIX, as formações de Blue Lias e Charmouth Mudstone da costa de Dorset forneceram um grande número de fósseis corporais importantes que aumentam o nosso conhecimento em paleontologia coleóide. Em muitos desses arenitos, foram encontrados espécimes de significado paleobiológico, especialmente aqueles com os braços e ganchos com os quais os animais vivos capturaram as suas presas”, disse Malcolm Hart, autor do estudo, em comunicado.

“Este, no entanto, é um fóssil mais incomum, se não extraordinário, pois eventos de predação são encontrados muito ocasionalmente no registo geológico. Aponta para um ataque particularmente violento que parece ter causado a morte e subsequente preservação de ambos os animais”.

No que é descrito como um incidente brutal, os ossos da cabeça do peixe pequeno parecem completamente esmagados pelo seu atacante. A posição dos braços do predador enrolada ao lado do corpo do peixe sugere que o sedimento capturou a caça logo após a ocorrência.

Os investigadores têm duas teorias para a ocorrência. Por um lado, a presa pode ter ficado presa na boca do capturador, matando a criatura antes de se estabelecer no fundo do mar, onde ficaram preservadas em sedimentos.

Por outro lado, o atacante pode ter levado a presa para o fundo do mar num método conhecido como “afogamento por distração”, um método de caça que foi registado noutros locais fósseis pelos quais o predador finge afogar-se para evitar ser atacado por outro predador maior e mais faminto. Porém, a estratégia pode ter corrido mais e a “lula” terá sufocado durante a descida em águas pobres em oxigénio.

O estudo será publicado na revista científica Proceedings of the Geologists’ Association.

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