Bruxelas, Bélgica – Os chefes de Estado e de Governo dos 27 países da UE alcançaram, em Bruxelas, um consenso unânime sobre o conflito na Ucrânia, um marco que não ocorria há um ano e meio. A decisão, tomada durante o Conselho Europeu, sublinha a intenção do bloco em reforçar os esforços diplomáticos para atingir uma paz considerada justa e duradoura no território ucraniano.
Reforço na posição ucraniana
Luís Montenegro destacou o compromisso do bloco comunitário, afirmando que a União Europeia mantém o respaldo incondicional a Kiev, inclusive no que respeita ao processo de adesão à UE. O primeiro-ministro português assinalou que o encontro, que contou com a presença de Volodymyr Zelensky, reforçou a unidade dos Estados-membros na procura de soluções que ponham fim ao conflito iniciado com a invasão russa em fevereiro de 2022.
Abertura de canais diplomáticos
No centro das discussões esteve a estratégia do presidente do Conselho Europeu, António Costa, que confirmou ter solicitado ao seu gabinete a abertura de um canal diplomático com a Rússia. O propósito desta iniciativa, segundo fontes europeias, é garantir que a UE esteja preparada para defender os seus interesses no momento em que surjam condições favoráveis para negociações de paz.
Embora a iniciativa de contactos preliminares com Moscovo tenha gerado debates internos entre embaixadores, a atuação de António Costa foi defendida pelos Estados-membros como uma prerrogativa do seu cargo, ao abrigo dos Tratados vigentes. A necessidade de o bloco manter uma voz coordenada e unificada foi um ponto central, com o presidente do Conselho Europeu a sublinhar que a prioridade é preservar a coesão interna.
Papel da UE na mediação
O debate ocorre num momento de crescente especulação sobre quem será o interlocutor europeu em futuros processos negociais. Luís Montenegro sugeriu que existem personalidades portuguesas capazes de assumir essa função, sem, contudo, avançar com nomes específicos. O objetivo final do debate, que se estende por dois dias, é aumentar a pressão sobre o regime russo e fortalecer a capacidade de influência da Europa, assegurando que qualquer entendimento futuro salvaguarde a estabilidade e os interesses do continente.











