O campo está a viver um momento de equilíbrios precários. Se por um lado o otimismo marca a previsão da soja, que deverá atingir um novo máximo histórico de 432,3 milhões de toneladas no ciclo 2025/26, por outro, as sombras do clima e da geopolítica pairam sobre a segurança alimentar global. Este novo recorde na oleaginosa é sustentado pelo desempenho sólido do Brasil e da Rússia, que conseguem neutralizar os recuos produtivos previstos para a Índia, Argentina e América do Norte.
No Brasil, contudo, a balança do açúcar aponta para baixo pelo segundo ano seguido. Não é uma questão de falta de matéria-prima, mas de escolhas estratégicas: o etanol está a absorver uma fatia cada vez maior da cana-de-açúcar. A mudança de foco nas destiladoras brasileiras gera inquietação nos mercados internacionais, que receiam um aperto na oferta do produto. A isto junta-se a incerteza climática, com o fenómeno El Niño a ameaçar as colheitas de 2026/27 em mercados cruciais como a Tailândia e a Índia.
Cereais e o ajuste nas colheitas
O cenário para os cereais básicos — trigo, arroz e grãos grossos — é de um recuo face aos patamares recorde atingidos anteriormente. Ainda que a oferta continue robusta graças aos stocks acumulados, a tendência é de descida. O trigo, em particular, apresenta uma quebra projetada de 3,8%, fixando-se nos 810,9 milhões de toneladas. O impacto é sentido sobretudo nos grandes exportadores, com os Estados Unidos a liderarem esta retração, que poderá chegar aos 21,3% nas suas explorações.
Proteína animal e o mar
Enquanto a produção global de carne ensaia um crescimento modesto de 1,0%, atingindo 391,3 milhões de toneladas, os sinais internos são divergentes. A avicultura continua a sua expansão, com um aumento de 2,5%, mas a carne de bovino perde terreno no panorama mundial. É uma dança de números onde a procura do consumidor dita o ritmo das explorações agropecuárias.
No setor da pesca e aquicultura, a maré traz sinais distintos. A produção deve alcançar os 200,5 milhões de toneladas em 2026, um crescimento de 1,0% impulsionado pelo cultivo de salmão, carpa e camarão. Em contrapartida, a pesca de captura perde força, recuando 1,1%. A causa é direta: o endurecimento das restrições e das cotas em zonas vitais do Atlântico Norte, que afetam diretamente espécies como o bacalhau, o arenque e a cavala, somando-se à quebra nas capturas de anchoveta no Peru.
O sistema mantém-se, portanto, estável no plano global, mas a resiliência dos mercados continua sob pressão constante de variáveis que fogem ao controlo dos produtores.











