Vítor Escária é uma das cinco personalidades que, em 7 de novembro de 2023, foram detidas e posteriormente libertadas no âmbito da Operação Influencer, cuja apuração judicial continua em andamento.
O Ministério Público (MP) arquivou o processo por violação de segredo de Estado que tinha instaurado após a apreensão, no contexto da Operação Influencer, de uma memória externa. Nela constava uma listagem de agentes ligados aos serviços de inteligência.
“O Ministério Público emitiu, no dia 11 de setembro de 2025, decisão final de arquivamento no processo relacionado com a apreensão, a 7 de novembro de 2023, no gabinete do chefe de gabinete do primeiro-ministro, de uma pen-drive contendo registos da Segurança Social referentes a diversas instituições e titulares de cargos públicos”, comunicou o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).
Na época, a chefia de gabinete era ocupada por Vítor Escária, e o então primeiro-ministro, António Costa, foi ouvido como testemunha.
De acordo com o DCIAP, a decisão de arquivar o processo — que tinha dois arguidos — deveu-se ao facto de a apuração não ter conseguido, “esgotadas as diligências cabíveis”, identificar quem gravou os dados na memória, quem a fez chegar ao local e “se os indivíduos que tiveram a sua posse chegaram a aceder ao respetivo conteúdo ou, sequer, tinham conhecimento do mesmo”.
Além disso, os procuradores verificaram que os registos em questão eram idênticos aos que “foram retirados da base de dados da Segurança Social em junho de 2019” por um funcionário daquela entidade, já julgado em tribunal.
Isso significa que esse trabalhador não poderia, segundo o princípio jurídico latino ne bis in idem, ser novamente processado por factos já apreciados judicialmente. O comunicado recorda que o processo agora encerrado foi aberto em 21 de novembro de 2024, derivado de uma certidão extraída da Operação Influencer.
A instauração do inquérito por violação de segredo de Estado tinha sido confirmada a 29 de janeiro pela Procuradoria-Geral da República (PGR), após a revista Sábado ter revelado que, em novembro de 2023, fora encontrada no cofre do gabinete de Escária uma pen-drive com a identificação e outros dados de centenas de agentes do Serviço de Informações de Segurança (SIS), Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), Polícia Judiciária (PJ) e Autoridade Tributária (AT).
Na ocasião, o advogado de António Costa, João Lima Cluny, declarou que o ex-primeiro-ministro — atualmente presidente do Conselho Europeu — desconhecia “completamente” o conteúdo da memória.
Escária foi uma das cinco figuras que, em 7 de novembro de 2023, foram detidas e, mais tarde, libertadas no quadro da Operação Influencer, investigação que permanece em curso.
O caso envolve suspeitas de irregularidades ligadas à construção de um centro de dados em Sines (distrito de Setúbal), à exploração de lítio em Montalegre e Boticas (ambas no distrito de Vila Real) e à produção de energia a partir de hidrogénio também em Sines.










