Gestão PSD/CDS-PP ressalta serenidade e afasta “exploração eleitoral”. Os vereadores dos partidos da oposição na Câmara Municipal de Lisboa consideraram que a reunião extraordinária desta segunda-feira sobre o acidente com o Elevador da Glória trouxe “muito poucos” esclarecimentos, enquanto a liderança PSD/CDS-PP destacou o ambiente de serenidade e o afastamento de “qualquer aproveitamento político”.
“Esta sessão ocorreu num clima muito sereno […] e esse é o tom adequado para tratar uma tragédia desta magnitude, sem partidarizar o tema. É necessário manter a calma. O acidente foi uma catástrofe que não poderia ter acontecido, e agora o nosso compromisso é compreender exatamente o que ocorreu. Esse empenho é total, num cenário agora mais tranquilo”, afirmou o vice-presidente da autarquia, Filipe Anacoreta Correia (CDS-PP).
A declaração foi feita após a reunião extraordinária solicitada pela oposição para atualização das informações sobre o acidente ocorrido no Elevador da Glória, gerido pela empresa municipal Carris. O encontro foi agendado pelo presidente da Câmara, Carlos Moedas (PSD), para o dia seguinte às eleições autárquicas, “a fim de evitar qualquer politização de um tema que exige apenas esclarecimentos técnicos”.
O descarrilamento do Elevador da Glória, ocorrido em 3 de setembro, causou 16 mortes e deixou cerca de 20 feridos, entre portugueses e estrangeiros.
O vereador socialista Pedro Anastácio criticou a direção PSD/CDS-PP e a Carris por uma “postura de silêncio e falta de transparência”, afirmando que isso “dificulta a restauração da confiança da população nos transportes públicos da cidade”.
Sobre dois incidentes anteriores ao acidente fatal que não teriam sido devidamente reportados, Anacoreta Correia garantiu que “ninguém tentou omitir informações”, explicando que esses episódios resultaram de falha humana e “não têm relação direta” com o desastre de setembro, que teria origem “em problemas estruturais de segurança”.
Segundo o vice-presidente, “tanto a Câmara quanto a Carris estão totalmente comprometidas em esclarecer todos os fatos”, admitindo, no entanto, que “poderá ter havido falhas de comunicação devido à complexidade da gestão de uma tragédia desta dimensão”.
Pedro Anastácio reforçou que a autarquia “deveria ter encerrado rapidamente a polêmica com um esclarecimento completo”, lamentando “que não tenha sido essa a opção”.
A vereadora do PCP, Ana Jara, afirmou que a reunião “não teve impacto prático”, pois “não houve resposta clara” sobre a proposta de avaliação do estado dos elevadores, a eventual terceirização da manutenção e o impacto do turismo.
Paula Marques, dos Cidadãos por Lisboa (PS/Livre), também disse que “não houve grandes explicações”, destacando a falta de respostas sobre o papel da Carris na supervisão da empresa responsável pela manutenção.
Já Carlos Teixeira, do Livre, expressou descontentamento com a ausência de detalhes “sobre o passado, o presente e o futuro da situação”, pedindo atenção ao processo de modernização dos elevadores históricos da capital.










